Simulações 3D sugerem nova explicação para construção de pirâmide no Egito
Novo estudo com simulações digitais sugere que a Grande Pirâmide de Gizé, no Egito, foi erguida por rampas integradas à sua própria estrutura

Um novo estudo fundamentado em simulações computacionais indica que a Grande Pirâmide de Gizé, no Egito, pode ter sido erguida utilizando um sistema de rampas incorporadas à própria construção.
Conhecido como “Rampa de Borda Integrada” (IER, na sigla em inglês), o modelo apresenta uma alternativa às hipóteses convencionais, que sugerem a utilização de grandes rampas externas ou de túneis internos em formato espiral.
Em resumo:
- Modelo sugere o uso de rampas integradas na construção da Grande Pirâmide de Gizé;
- Simulações indicam que a obra pode ter levado entre 13,8 e 20,6 anos para ser concluída;
- O sistema proposto envolveria múltiplas rampas operando simultaneamente nas bordas da estrutura;
- Evidências arqueológicas apontam para uma logística complexa e técnicas avançadas utilizadas pelos antigos egípcios;
- A hipótese busca explicar um transporte mais eficiente e um alto nível de coordenação de engenharia.

Estudo utiliza modelagem 3D para simular construção da pirâmide
A pirâmide associada ao faraó Quéops é composta por cerca de 2,3 milhões de blocos de pedra, dispostos sobre uma base com aproximadamente 230 metros de extensão. Com base em registros históricos e na duração do reinado do governante, estima-se que sua construção tenha ocorrido ao longo de cerca de 20 a 27 anos. Para que isso fosse viável, seria necessário um ritmo de assentamento extremamente acelerado, o que sempre levantou questionamentos entre especialistas.
Publicado na revista científica npj Heritage Science, o estudo utilizou simulações em 3D para recriar o processo de construção. Os resultados sugerem que a obra poderia ter sido concluída em um intervalo entre 13,8 e 20,6 anos, dentro de uma margem considerada plausível por historiadores.
O modelo defende a existência de diversas rampas posicionadas ao longo das bordas da pirâmide, operando de forma simultânea. Em vez de uma única rota de transporte, haveria múltiplos trajetos paralelos, permitindo que diferentes equipes atuassem ao mesmo tempo.
À medida que a construção avançava, essas rampas seriam modificadas ou realocadas. Essa capacidade de adaptação permitiria a continuidade do trabalho sem grandes pausas e sem a necessidade de estruturas permanentes muito complexas.

Outras obras antigas no Egito utilizam logística de transporte comparável
A proposta foi elaborada pelo cientista da computação e pesquisador independente Vicente Luis Rosell Roig, que deu início aos estudos em 2020. Ele desenvolveu um modelo computacional capaz de simular a colocação individual de cada bloco ao longo do tempo, explorando diferentes cenários de construção.
De acordo com o pesquisador, a divisão do transporte em múltiplos canais simultâneos ajuda a resolver o principal desafio logístico da pirâmide: manter um ritmo contínuo de construção em larga escala. Essa abordagem permitiria maior eficiência sem comprometer a estabilidade da estrutura.
A hipótese também é apoiada por evidências arqueológicas. Em pedreiras como Hatnub, foram identificadas rampas escavadas na rocha com marcas de sistemas de tração, indicando métodos avançados de deslocamento de blocos.
Outras construções antigas apresentam sinais de utilização de rampas múltiplas, sugerindo que sistemas paralelos de transporte já faziam parte do conhecimento técnico dos antigos egípcios.

Um dos principais desafios do estudo é explicar o deslocamento dos blocos de granito utilizados em partes internas, como a Câmara do Rei. Essas pedras podem atingir dezenas de toneladas, exigindo soluções mais específicas de engenharia.
O modelo sugere o uso de rampas menores e provisórias em níveis intermediários da estrutura. Essas construções poderiam ser desmontadas e reaproveitadas à medida que a obra avançasse.
As simulações apontam que esses espaços seriam suficientes para equipes especializadas lidarem com os blocos mais pesados, enquanto outras frentes de trabalho se dedicariam ao calcário comum. Isso ajudaria a manter um fluxo constante na construção.
Documentos como os papiros de Wadi al-Jarf, também conhecidos como “Diário de Merer”, indicam que os antigos egípcios utilizavam o rio Nilo para o transporte de materiais. Esse registro reforça a hipótese de uma logística altamente organizada e compatível com o modelo proposto.
Civilização egípcia dominava técnicas de construção avançadas
O estudo também se conecta ao projeto ScanPyramids, que utiliza a tecnologia de múons para investigar o interior da Grande Pirâmide. Esse método revelou cavidades e espaços desconhecidos, que podem estar relacionados aos trajetos das rampas propostas no modelo.
De acordo com a pesquisa, essas anomalias internas coincidiriam com áreas sugeridas pelo modelo computacional, reforçando a hipótese de que as rampas estariam integradas na própria estrutura da pirâmide. Além disso, certos pontos de desgaste observados na construção poderiam indicar áreas de intensa movimentação de blocos de pedra.
O modelo é paramétrico, ou seja, adaptável a outras pirâmides do Egito. Isso significa que ele pode ser utilizado para testar diferentes hipóteses em outros monumentos egípcios e permitir a comparação dos resultados, o que abre novas possibilidades para entender as técnicas de construção utilizadas pelos antigos egípcios.
De forma geral, a pesquisa sugere que os antigos egípcios empregavam soluções de engenharia altamente organizadas. Mais do que apenas força de trabalho, a construção das pirâmides teria exigido um planejamento logístico sofisticado e uma execução coordenada em grande escala.
Fonte: Olhar Digital
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