NASA revela os “carros lunares” do futuro

Em webconferência, a NASA detalhou os planos para a Base Lunar e apresentou três veículos que podem fazer parte do projeto

Segundo informações divulgadas pelo Olhar Digital, a NASA promoveu nesta terça-feira (26) uma webconferência para revelar detalhes dos planos relacionados à Base Lunar, projeto conectado ao programa Artemis, que tem como objetivo manter uma presença humana permanente na Lua.

Durante o evento, os representantes da agência — Jared Isaacman, Lori Glaze e Carlos García-Galán — explicaram como a NASA pretende dar início à construção da futura base no polo sul lunar.

O plano da NASA inclui a utilização de veículos robóticos, módulos de aterrissagem e rovers autônomos antes mesmo da chegada definitiva de astronautas à Lua.

A iniciativa integra a nova etapa do programa Artemis, criado como sucessor das históricas missões Programa Apollo. Diferentemente do que ocorria nas viagens do passado, o objetivo atual da agência não é apenas pousar na Lua e retornar à Terra, mas estabelecer uma estrutura fixa capaz de sustentar pesquisas científicas, testes de novas tecnologias e futuras missões tripuladas para Marte.

De acordo com a NASA, o desenvolvimento dessa infraestrutura ocorrerá em diferentes etapas. A fase inicial contará com dezenas de missões robóticas, pousos automatizados e experimentos tecnológicos. Somente após a conclusão desses testes a agência pretende começar a instalar módulos habitáveis e sistemas permanentes de energia e comunicação.

Estes são os veículos que podem explorar a superfície da Lua
Entre os três veículos apresentados está o módulo de pouso Blue Moon Mark I, desenvolvido pela Blue Origin. O equipamento será utilizado para transportar cargas até a superfície da Lua sem a presença de tripulação humana. A primeira missão do veículo deve acontecer a partir da segunda metade deste ano.

Conhecido também pelo nome “Endurance”, o Mark I foi projetado para levar instrumentos científicos, suprimentos, ferramentas e componentes que farão parte da futura infraestrutura da base lunar. Segundo a NASA, o módulo terá papel fundamental na redução de riscos antes do início das missões tripuladas do programa Artemis.

O Blue Moon Mark I passou recentemente por uma série de testes em uma enorme câmara de vácuo localizada no Centro Espacial Johnson, pertencente à NASA. Os experimentos simulam condições extremas do espaço, incluindo temperaturas intensas e ausência de atmosfera. A finalidade é confirmar se o módulo consegue operar com segurança durante o pouso na Lua.

Além do transporte de cargas, o Mark I também funcionará como base para pesquisas científicas. Entre os equipamentos embarcados estão câmeras especiais projetadas para analisar como os motores do módulo interferem no solo lunar durante a aterrissagem. Outro sistema utilizará tecnologia a laser para auxiliar futuras espaçonaves a se posicionarem com maior precisão na órbita lunar.

A NASA também apresentou o FLEX Rover, criado pela Astrolab. O veículo integra a categoria LTV, sigla em inglês para Veículo de Exploração da Superfície Lunar, sendo desenvolvido para percorrer grandes distâncias sobre a superfície da Lua.

O FLEX Rover poderá atuar de forma totalmente autônoma ou transportar até dois astronautas ao mesmo tempo. Segundo a NASA, o rover foi desenvolvido para operar em condições extremamente desafiadoras, enfrentando poeira lunar abrasiva, temperaturas severas e terrenos irregulares localizados próximos ao polo sul da Lua.

Uma das principais características do veículo é a capacidade de continuar executando tarefas mesmo sem a presença humana. Nos intervalos entre as missões do programa Artemis, o rover poderá transportar materiais, realizar inspeções e colaborar na preparação da futura infraestrutura da base lunar. A expectativa da NASA é que equipamentos robóticos desse tipo diminuam significativamente a necessidade de trabalho humano em atividades repetitivas e arriscadas.

O terceiro projeto apresentado foi o Pegasus LTV, desenvolvido pela Lunar Outpost. O modelo concorre com o FLEX pela posição de veículo oficial das próximas missões Artemis. A agência espacial pretende analisar o desempenho dos dois projetos antes de escolher qual será utilizado permanentemente pelos astronautas.

O Pegasus foi criado com foco em alta mobilidade e sistemas robóticos avançados. Segundo a empresa, o rover será capaz de atravessar áreas extremamente acidentadas próximas às crateras do polo sul lunar, região considerada estratégica pela possível existência de gelo de água. Pesquisadores acreditam que esse recurso poderá ser aproveitado no futuro para gerar água potável, oxigênio e até combustível para foguetes.

Setor privado tem papel central no projeto da Base Lunar
De acordo com o planejamento divulgado pela NASA, a etapa inicial da Base Lunar deverá contar com cerca de 25 missões robóticas e 21 pousos automatizados na Lua. A agência também pretende empregar drones lunares, satélites de comunicação e sistemas experimentais de energia para manter as operações funcionando durante as extensas noites lunares, que podem durar aproximadamente duas semanas terrestres.

A NASA destacou ainda que empresas privadas terão participação fundamental no desenvolvimento do projeto. A estratégia segue um modelo semelhante ao utilizado atualmente na Estação Espacial Internacional (ISS), onde companhias comerciais são responsáveis por missões de transporte e abastecimento da estação.

Para a agência espacial, a criação de uma base permanente na Lua não representa apenas um avanço científico, mas também uma etapa decisiva para viabilizar futuras missões tripuladas a Marte. Antes disso, porém, os próximos anos deverão ser marcados por uma sequência intensa de operações robóticas, testes tecnológicos e atividades automatizadas na superfície lunar.

Fonte: Olhar Digital

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