Incidente no Ipen: o que é o tecnécio que abastece 2 milhões de exames por ano no Brasil

A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) confirmou, na quinta-feira (11), um incidente radioativo no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (I

Um episódio envolvendo tecnécio-99m, ocorrido em 29 de maio no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), localizado no campus da USP, em São Paulo, tornou-se público nesta quinta-feira (11) após uma denúncia feita pelo Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Sindsef-SP), segundo informações divulgadas pelo G1.

A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) confirmou a ocorrência por meio de comunicado oficial. O evento foi registrado internamente sob o Relatório de Ocorrência nº 04/2026 e posteriormente encaminhado à Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) para análise.

O Ipen é considerado o maior fornecedor de radiofármacos do país, abastecendo cerca de 430 hospitais e clínicas brasileiras. De acordo com a CNEN, os materiais produzidos pela instituição são utilizados em aproximadamente 2 milhões de procedimentos médicos por ano, muitos deles voltados ao diagnóstico e tratamento de diferentes tipos de câncer.

O que aconteceu
De acordo com informações divulgadas pelo G1, no dia 29 de maio, um técnico que atua no Centro de Radiofarmácia teve sua vestimenta contaminada durante o processo de fabricação de geradores de Molibdênio-99/Tecnécio-99m. Dias depois, em 1º de junho, vestígios de contaminação também foram identificados no calçado de outro operador.

Os dois profissionais passaram por exames de contagem corporal total, procedimento utilizado para verificar a possível presença de material radioativo no organismo. Conforme informou a CNEN, os resultados apresentaram níveis muito baixos e não apontaram qualquer sinal de contaminação interna. A comissão também afirmou que o material permaneceu confinado à área controlada da instituição.

O que é o tecnécio-99m
Segundo informações da BBC, o tecnécio-99m é o radioisótopo mais empregado no mundo em exames de diagnóstico por imagem. Após ser administrado ao paciente, ele permite que equipamentos especializados gerem imagens detalhadas de órgãos como coração, rins e ossos, sendo amplamente utilizado em procedimentos de cintilografia.

Em entrevista ao G1, o professor de química Rodrigo Machado explicou que o tecnécio emite radiação devido à instabilidade de seu núcleo atômico. Essa característica, porém, também representa uma vantagem para a medicina, já que sua meia-vida é de aproximadamente seis horas, fazendo com que a radioatividade diminua rapidamente após a realização do exame.

Já o Molibdênio-99 produzido pelo Ipen atua como uma fonte geradora do Tecnécio-99m, transformando-se gradualmente no radioisótopo que é efetivamente utilizado nos procedimentos médicos.

A notificação vai além do incidente
Em comunicado oficial, a ANSN informou que a Radiofarmácia do Ipen continua operando com autorização válida. No entanto, o órgão estabeleceu um prazo até 18 de junho para que a instituição apresente informações relacionadas a dois grupos distintos de exigências.

O primeiro conjunto está ligado à manutenção dos requisitos de licenciamento, incluindo aspectos como segurança operacional, gerenciamento de resíduos radioativos, procedimentos internos e medidas de proteção radiológica. Já o segundo solicita esclarecimentos específicos sobre o incidente relatado na denúncia.

A ANSN destacou que o envio de notificações técnicas faz parte das ações regulares de fiscalização e acompanhamento do setor. Segundo a entidade, possíveis providências adicionais só serão definidas após a análise da documentação encaminhada pelo Ipen.

Fonte: Olhar Digital

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