IA está ajudando a fazer praias “crescerem” e pode virar uma nova arma contra a erosão causada pela elevação do mar
Projeto nas Maldivas usa IA e estruturas submersas para recuperar praias afetadas pela erosão e testar uma nova abordagem.

A elevação do nível dos oceanos vem provocando o avanço do mar sobre praias em diferentes regiões do planeta. Nas Maldivas, uma equipe combina inteligência artificial, imagens obtidas por satélite e informações sobre as correntes marítimas para analisar o processo de erosão e buscar maneiras de recuperar trechos de areia.
O projeto desenvolvido pela Coastal Assembly, que surgiu a partir de um laboratório do MIT, já conseguiu ampliar uma faixa de praia em aproximadamente 27 metros. Em outra área, a iniciativa criou um banco de areia com mais de 849 m³ de material ao longo de seis meses.

Como a tecnologia funciona
No Atol de Kaafu, os pesquisadores examinaram uma década de imagens de satélite, informações sobre correntes marítimas e outros dados para compreender a evolução da erosão. A análise serviu como referência para projetar 54 estruturas de concreto marinho, fabricadas com areia e conchas trituradas, segundo o The New York Times.
Instaladas abaixo da superfície, as estruturas foram organizadas em um padrão formado por hexágonos. O desenho ajuda a diminuir a intensidade das ondas sem bloquear o fluxo da água, permitindo que areia e sedimentos se depositem na área.
Os resultados já podem ser observados no local. De acordo com os responsáveis pela iniciativa, a extensão da praia praticamente dobrou. Além disso, corais começaram a se desenvolver sobre as estruturas, que também passaram a servir de habitat para peixes e outras espécies marinhas.
O trabalho começa antes mesmo da colocação das estruturas. A tecnologia utilizada pela empresa monitora, em tempo real, o avanço da erosão em quase 900 áreas costeiras. Skylar Tibbits, um dos fundadores da Coastal Assembly, explica que esse processo era consideravelmente mais demorado no começo do projeto.
“Levávamos meses para fazer um único local. No começo, tudo era feito manualmente.”
Atualmente, de acordo com Tibbits, a equipe consegue antecipar como a erosão poderá evoluir e elaborar uma estratégia para combater o problema em apenas um dia.
O que vem pela frente
A combinação de imagens de satélite com inteligência artificial ganhou relevância em um momento no qual países formados por ilhas enfrentam obstáculos para coletar informações sobre suas próprias áreas costeiras. Um relatório das Nações Unidas mencionado pelo projeto destaca o monitoramento e o mapeamento por satélite como ferramentas importantes para ajudar na adaptação às mudanças climáticas.
A Coastal Assembly deixou o MIT no final do ano passado e passou a atuar de forma independente como uma empresa de benefício público. Além das iniciativas já realizadas, outras dez instalações estão planejadas para as Maldivas, enquanto novos projetos são previstos para as Bahamas, Boston Harbor e Miami.
Ainda existe, porém, uma dúvida importante sobre a iniciativa: por quanto tempo as praias restauradas conseguirão manter sua estabilidade? A ação das correntes sazonais, o deslocamento de sedimentos e a elevação contínua do nível do mar podem modificar os resultados obtidos ao longo do tempo.
O que o projeto já fez:
- A praia ampliada avançou cerca de 27 metros em direção ao oceano.
- Outro projeto criou um banco de areia com mais de 849 m³ de material.
- Foram instaladas 54 estruturas submersas.
- A tecnologia acompanha quase 900 áreas costeiras.
- Há dez novas instalações planejadas nas Maldivas.

Uma alternativa às barreiras tradicionais
Mohamed Nasheed, ex-presidente das Maldivas, acompanhou de perto os resultados obtidos pela iniciativa e considera o projeto uma possível alternativa aos métodos tradicionais utilizados para combater a erosão. “Eu vi. Realmente funciona.”
Segundo Nasheed, a construção de grandes barreiras de concreto pode representar custos elevados. Já técnicas como bombeamento e dragagem de areia demandam novos investimentos ao longo do tempo e também podem causar impactos nos ecossistemas costeiros. A proposta, portanto, busca trabalhar com a dinâmica natural da água, em vez de tentar impedir seu movimento.
A tecnologia também despertou o interesse de Hyun Kim, consultor sênior do Global Centre for Climate Mobility, ligado às Nações Unidas. Para ele, a iniciativa apresenta uma solução prática, e a organização trabalha para possibilitar sua implementação em outros países com territórios de baixa altitude.
Apesar dos resultados registrados nas Maldivas, o projeto ainda passa por acompanhamento. Questões como a resistência das praias restauradas ao longo dos anos e a adaptação da técnica a diferentes locais ainda precisam ser avaliadas. Essas respostas serão importantes para determinar o alcance que a solução poderá ter.
Fonte: Olhar Digital
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