Eleições de meio de mandato nos EUA podem mexer no valor de ações
As midterms, marcadas para terça-feira (03), podem redefinir quais empresas vão manter suas vantagens em Washington; entenda

As eleições legislativas de meio de mandato (midterms) dos Estados Unidos, previstas para terça-feira (03), podem alterar a influência de diversas empresas sobre as decisões tomadas em Washington. Os efeitos podem atingir principalmente setores como defesa, saúde, sistema bancário e inteligência artificial.
Na prática, o resultado das eleições pode modificar o equilíbrio das negociações políticas e econômicas. Para algumas das maiores companhias americanas, manter influência junto ao governo e às instituições de Washington é parte importante de suas estratégias de negócios.
Entenda os possíveis impactos das midterms dos EUA no mercado
Caso os democratas conquistem a maioria em uma ou nas duas casas do Congresso, o partido ganhará mais instrumentos para fiscalizar empresas, questionar despesas do governo federal e pressionar por mudanças na legislação.
Ainda assim, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, do Partido Republicano, continuará tendo poder de veto, além de manter autoridade sobre tarifas comerciais, imigração e regulamentações federais.
Congresso sob oposição pode aumentar a pressão sobre as big techs
Se os democratas passarem a controlar a Câmara dos Representantes ou o Senado americano, as principais empresas de tecnologia do mundo poderão enfrentar mudanças em suas atividades e na relação com o governo.

Isso acontece porque o partido que controla essas casas legislativas passa a ter autoridade para convocar dirigentes de empresas para prestar depoimentos e solicitar documentos internos.
Na prática, grandes empresas de tecnologia podem ser chamadas a explicar publicamente suas decisões comerciais, acordos e contribuições financeiras, entre outros assuntos.
Nos últimos meses, parlamentares encaminharam solicitações de esclarecimento a companhias como Apple, Nvidia, Cisco e Salesforce, questionando iniciativas relacionadas ao governo ou benefícios fiscais sobre importações.
Mesmo quando não existem provas de irregularidades, essas apurações podem desviar a atenção dos executivos e gerar notícias capazes de preocupar investidores, provocando oscilações no valor das ações dessas empresas.
Despesas do governo entram no centro das discussões
O Congresso dos Estados Unidos tem a responsabilidade de definir como os recursos arrecadados com impostos serão utilizados. Por isso, alterações no controle legislativo podem afetar diretamente empresas que dependem de contratos e investimentos públicos.
Um dos setores que merece atenção é o da saúde. As reduções previstas no Medicaid, programa que oferece assistência médica à população de baixa renda, podem diminuir os ganhos de seguradoras que atuam nessa área e ampliar as perdas de hospitais que não recebem pelos serviços prestados.
Com uma oposição mais forte, os parlamentares podem tentar impedir esses cortes durante as negociações orçamentárias, com o objetivo de manter a estabilidade dos serviços de saúde.
Na área de defesa e tecnologia militar, as discussões também envolvem interesses distintos. A Casa Branca solicita recursos de bilhões de dólares para ampliar os estoques de equipamentos e financiar ações militares. O governo também pretende estabelecer contratos de longo prazo, incluindo a aquisição de centenas de aeronaves de combate da Lockheed Martin.
Entretanto, para que esses acordos sejam financiados, é necessário obter a aprovação do Congresso.
Iniciativas de defesa voltadas à China e projetos de modernização de mísseis contam com apoio de integrantes dos dois partidos. Já outras despesas podem sofrer bloqueios ou mudanças na distribuição dos recursos.
Diante desse cenário, investidores precisarão avaliar com atenção quais companhias do setor de tecnologia militar poderão, de fato, receber contratos e ampliar seus rendimentos.
Como as leis podem afetar a IA, as criptomoedas e os bancos
As normas e regulamentações aprovadas pelo Congresso estabelecem as condições de funcionamento de diferentes setores da economia. Quando os partidos não conseguem chegar a um acordo, a falta de definições pode aumentar a insegurança entre empresas e investidores.

O setor de inteligência artificial enfrenta um dos cenários mais complexos. O governo da Casa Branca defende a expansão acelerada de grandes data centers para preservar a posição de destaque dos Estados Unidos na corrida tecnológica. Empresas como Microsoft, Amazon, Alphabet e Meta, por sua vez, pretendem destinar mais de US$ 1 trilhão (R$ 5,4 trilhões) à construção dessa infraestrutura.
Entretanto, moradores de diferentes regiões demonstram preocupação com os efeitos desses empreendimentos, especialmente pelo alto consumo de água e pelo possível aumento nos custos da energia elétrica.
Dentro do próprio Congresso, não existe consenso sobre a possibilidade de exigir que as grandes empresas de tecnologia assumam os gastos adicionais com eletricidade.
Assim, além das decisões tomadas em Washington, administrações locais e órgãos reguladores estaduais também terão influência sobre a aprovação e a execução dos projetos de infraestrutura voltados à inteligência artificial.
No mercado de criptomoedas, empresas de grande porte, como a Coinbase, defendem a criação de normas claras e estáveis que ofereçam maior segurança para suas operações.
Porém, propostas legislativas apoiadas pelo governo não avançaram no Senado. Com uma presença maior da oposição, o setor poderá enfrentar regras mais rigorosas, especialmente em relação à proteção dos consumidores e à fiscalização das atividades.
Já no sistema bancário, as instituições financeiras procuram previsibilidade nas exigências de capital estabelecidas pelo Federal Reserve. Entretanto, a composição política do Senado influencia diretamente a escolha dos nomes que ocuparão cargos de liderança nos órgãos responsáveis pela regulamentação do setor.
Fonte: Olhar Digital
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