Existe acaso perfeito? Cientistas dizem que sim e explicam como

Cientistas criam aleatoriedade perfeita com qubits quânticos, avanço que pode reforçar a criptografia e a segurança digital

Físicos da ETH Zurich deram um avanço significativo ao gerar o que chamam de aleatoriedade perfeita utilizando qubits quânticos emaranhados. O resultado chama atenção principalmente pelo potencial impacto em áreas como criptografia e segurança digital.

O experimento, considerado inédito, foi realizado com chips supercondutores resfriados a temperaturas próximas do zero absoluto, segundo informações divulgadas pela LiveScience.

O que significa gerar aleatoriedade perfeita
Na teoria, a noção de aleatoriedade perfeita parece simples, mas na prática ela é bem mais complexa. Mesmo sistemas computacionais muito avançados podem apresentar pequenos vieses quase imperceptíveis, que acabam surgindo como padrões — e isso já é suficiente para gerar problemas em aplicações específicas.

O aspecto mais relevante nesse contexto é que, ao entrar no regime quântico, o comportamento muda. Embora testes estatísticos ainda sejam importantes, eles não conseguem capturar tudo. A aleatoriedade deixa de ser apenas uma propriedade medida e passa a ser sustentada diretamente pelas leis da física.

Em criptografia, isso é especialmente crítico. Pequenas previsibilidades, mesmo raras, podem se transformar em vulnerabilidades reais. É exatamente esse tipo de risco que pesquisadores da ETH Zurich buscam eliminar ao explorar abordagens baseadas em fenômenos quânticos.

Como o experimento foi construído com qubits
Os pesquisadores da ETH Zurich realizaram o experimento utilizando dois chips supercondutores que atuam como qubits. Esses dispositivos foram resfriados a temperaturas próximas do zero absoluto e interligados por um tubo de aproximadamente 30 metros, também mantido em condições criogênicas, por onde circulam fótons de micro-ondas.

O aspecto interessante é que o sistema não nasce totalmente “perfeito”. Ele parte de um gerador de números aleatórios imperfeito apenas como referência inicial para guiar as medições. A partir daí, a própria evolução do sistema quântico vai corrigindo e reduzindo esses desvios ao longo do processo.

Outro ponto importante é a separação física entre os qubits. Essa distância não é apenas uma questão de engenharia: ela foi projetada para minimizar interferências externas durante as medições. Isso contribui para manter o emaranhamento quântico estável e, consequentemente, aumentar a confiabilidade dos resultados obtidos no experimento.

Impactos na criptografia e na tecnologia
Segundo os pesquisadores, o sistema é capaz de gerar sequências de 0 e 1 com aleatoriedade validada, sem precisar recorrer aos algoritmos matemáticos complexos usados nos métodos tradicionais. Na prática, isso pode abrir caminho para usos mais seguros em criptografia, identidades digitais, sistemas de sorteio e tecnologias como blockchain.

Esse avanço também reduz a dependência de algoritmos determinísticos, que ainda são amplamente usados em sistemas digitais do dia a dia.

  • geração de aleatoriedade baseada em qubits emaranhados
  • redução de vieses presentes em geradores clássicos
  • aplicações em criptografia e segurança digital
  • uso potencial em blockchain, loterias e identidades digitais

“Nosso método não requer computação, já que toda a aleatoriedade é gerada pela medição de bits quânticos.”

Os pesquisadores destacam um ponto importante: como praticamente não há necessidade de processamento computacional, o método pode ser mais eficiente do que os geradores pseudoaleatórios tradicionais. Isso abre espaço para aplicações em redes distribuídas, onde diferentes sistemas podem depender de uma fonte central de aleatoriedade confiável.

No fim, o estudo reforça algo que vem ficando cada vez mais claro na física moderna: o mundo quântico não é apenas teórico ou experimental — ele já começa a aparecer, de forma concreta, em tecnologias do cotidiano digital.

Fonte: Olhar DIgital

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