Crateras mais antigas e escuras da Lua podem esconder reservas gigantes de gelo

Novas evidências indicam que o gelo lunar acumulou-se gradualmente ao longo de bilhões de anos, sugerindo que as crateras mais velhas são os melhores alvos para futuras missões tripuladas

Um novo estudo publicado na revista Nature Astronomy apontou que o gelo lunar não se encontra distribuído de forma homogênea e está associado à idade das crateras na região do polo sul da Lua. A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade do Colorado Boulder, do Instituto Weizmann e do Planetary Science Institute, sugere que o acúmulo de gelo ocorreu de maneira gradual ao longo dos últimos 3,5 bilhões de anos, em vez de ter resultado de um único evento de grande impacto.

De acordo com o Space.com, essa descoberta chega em um momento especialmente relevante, já que a missão Artemis 2 e os projetos de criação de uma base lunar permanente recolocaram a exploração da Lua no foco principal da NASA e de outras agências espaciais.

O mistério da distribuição “manchada”
Historicamente, pensava-se que algumas regiões dos polos lunares permaneciam em “escuridão eterna”. Porém, o estudo publicado na Nature Astronomy indica que a inclinação da Lua em relação ao Sol variou ao longo de bilhões de anos. Isso implica que crateras atualmente sombreadas podem ter recebido luz solar no passado distante, enquanto outras podem ter passado pelo processo inverso.

Com a análise de dados do instrumento Diviner, instalado na sonda Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), os cientistas observaram que o gelo apresenta uma “distribuição desigual”. “O gelo não está concentrado nas mesmas quantidades em todas as crateras”, explicou Paul Hayne, autor principal da pesquisa, em um comunicado.

Quanto mais velha a cratera, mais gelo
A equipe empregou simulações computacionais para reconstituir a evolução térmica das crateras e combinou essas informações com as detecções de gelo realizadas pelo instrumento LAMP (Lyman-Alpha Mapping Project). Os resultados foram conclusivos:

  • Correlação direta: foi identificada uma forte relação entre a quantidade de gelo exposto e o tempo de permanência da região em sombra permanente onde ele se encontra;
  • Exemplo observado: a cratera Haworth, localizada próxima ao polo sul da Lua, permanece em escuridão há mais de 3 bilhões de anos e apresenta um dos sinais de radar mais intensos associados à presença de gelo;
  • Acúmulo gradual: como crateras mais antigas tendem a conter maiores quantidades de gelo, o estudo sugere que a Lua vem acumulando água de forma contínua há pelo menos 3,5 bilhões de anos.

Essa conclusão afasta a hipótese de que a água tenha sido levada à Lua por um único grande impacto de cometa. Em vez disso, a explicação mais plausível aponta para uma mistura de fatores, como sucessivos choques com pequenos asteroides, antigos processos vulcânicos que liberaram vapor do interior lunar e até a ação do vento solar sobre a superfície, conforme descrito na Nature Astronomy.

Ouro branco para astronautas
ara os futuros moradores do espaço, o gelo da Lua deixa de ser apenas um tema de estudo e passa a ser um recurso indispensável. A água pode ser tratada para o consumo humano e também separada em oxigênio (para respiração) e hidrogênio (utilizado na produção de combustível para foguetes).

Segundo o Space.com, a próxima etapa para validar essas evidências será a análise direta de amostras coletadas na superfície lunar. Com esse objetivo, o professor Hayne está desenvolvendo a L-CIRiS, uma câmera térmica de alta precisão com lançamento previsto para 2027, como parte do programa de serviços comerciais da NASA.

Fonte: Olhar Digital

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