Concreto verde transforma CO₂ em pedra e pode revolucionar a construção civil
Pesquisadores desenvolvem novo material capaz de absorver e prender o gás carbônico de forma permanente dentro de estruturas de prédios e ponte

O setor da construção civil está prestes a enfrentar uma mudança significativa. Pesquisadores europeus demonstraram que pode ser viável desenvolver um novo tipo de concreto que, ao invés de apenas gerar impactos ambientais negativos, atua como um “capturador” de carbono.
Segundo o Earth.com, essa tecnologia possibilita a captura do dióxido de carbono (CO₂) e sua conversão em minerais estáveis, sem comprometer a resistência exigida para suportar estruturas de grande porte.
O vilão invisível da construção
Para compreender a relevância da descoberta, é preciso considerar o cimento convencional. Esse material responde por aproximadamente 8% das emissões globais de CO₂. O principal responsável é o chamado “clínquer”, componente essencial do cimento que demanda temperaturas muito elevadas para sua fabricação e libera grandes volumes de gases de efeito estufa durante o processo.
Diante da redução na disponibilidade de materiais que antes ajudavam a diminuir esse impacto como as cinzas provenientes de usinas termoelétricas a carvão, a indústria passou a buscar alternativas. É nesse cenário que surge o projeto europeu C-SINC.
Como o carbono vira pedra
A nova técnica emprega minerais ricos em magnésio que reagem quimicamente com o dióxido de carbono (CO₂). Esse processo, conhecido como mineralização, ocorre de maneira relativamente simples:
- O dióxido de carbono, que pode ser captado de fontes como exaustores industriais, por exemplo, entra em contato com a mistura;
- A partir disso, ocorre uma reação química que converte o gás em um material sólido, o carbonato de magnésio;
- Esse composto permanece incorporado de forma permanente na estrutura do concreto, sem possibilidade de retorno para a atmosfera.
“O CO₂ não fica apenas retido, ele está quimicamente incorporado a um mineral. Essa ligação é estável e faz com que ele permaneça preso, sem possibilidade de liberação por longos períodos”, explicou o professor Frank Dehn, do Instituto de Tecnologia de Karlsruhe (KIT), na Alemanha.

Inteligência artificial na composição
Desenvolver um concreto ideal não é uma tarefa simples. Qualquer alteração na composição pode comprometer a estrutura, causando fissuras nas paredes ou até corrosão do aço interno. Para tornar esse processo mais rápido, os pesquisadores estão recorrendo a algoritmos de aprendizado de máquina.
Em vez de realizar testes manuais de milhares de combinações no laboratório, os sistemas computacionais analisam grandes volumes de dados e indicam as formulações com maior probabilidade de funcionar. Só após essa etapa de triagem digital é que os cientistas partem para os testes físicos de resistência em blocos e vigas reais.
Desafios para o futuro
Apesar do otimismo, o concreto “que captura carbono” ainda precisa superar alguns desafios antes de chegar ao mercado e às lojas de materiais de construção:
- Durabilidade: é fundamental assegurar que o material resista por muitos anos mesmo exposto ao sol e à chuva;
- Proteção do aço: no concreto tradicional, o aço fica protegido contra a corrosão; por isso, os pesquisadores precisam garantir que a nova composição à base de magnésio ofereça a mesma barreira contra ferrugem;
- Custo e escala: para gerar impacto ambiental relevante, a produção precisa ser economicamente acessível e viável em grande escala industrial.
O projeto, que recebeu aproximadamente 4 milhões de euros em financiamento da União Europeia, agora está concentrado em transferir esses experimentos do ambiente acadêmico para a indústria, com o objetivo de transformar as cidades em verdadeiros sumidouros de carbono.
Fonte: Olhar Digital
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