PT denuncia Meta à OEA por suposta interferência nas eleições de 2026

Campanha de Lula acusa IA e algoritmos da empresa de favorecer Flávio Bolsonaro; Meta nega direcionamento político e afirma ter adotado medidas para cumprir as regras eleitorais

A equipe de campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) informou que pretende apresentar uma denúncia contra a Meta à Organização dos Estados Americanos (OEA), por suspeitas de interferência nas eleições presidenciais brasileiras de 2026. A companhia é responsável por plataformas como WhatsApp, Instagram, Threads e Facebook.

O anúncio ocorreu nesta quarta-feira (14) e foi feito pelo senador Camilo Santana (PT/CE), coordenador da campanha. De acordo com ele, as acusações também deverão ser encaminhadas à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e a representantes de organismos internacionais que acompanham o processo eleitoral.

A campanha alega ter identificado indícios de tratamento desigual, pelas plataformas da empresa, de publicações relacionadas a Lula e ao senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário do presidente no segundo turno.

Durante uma declaração à imprensa, Santana afirmou que a equipe não aceita o que considera uma possível interferência de grandes companhias de tecnologia nas eleições. O senador também ressaltou a influência das redes sociais em disputas presidenciais e a relevância da distribuição de conteúdos em um segundo turno com prazo reduzido.

Meta AI é alvo de acusações

  • Uma das principais queixas envolve a Meta AI, ferramenta de inteligência artificial (IA) disponível no WhatsApp;
  • Usuários relataram que o sistema recusava pedidos para criar imagens de campanha com o nome ou o número eleitoral de Lula, mas atendia a solicitações semelhantes relacionadas a Flávio Bolsonaro;
  • Testes divulgados pela CNN Brasil também identificaram respostas diferentes a comandos com propostas equivalentes para os dois candidatos. Em um dos exemplos, a ferramenta não gerou uma bandeira com a inscrição “Lula 13”, mas produziu uma imagem com os dizeres “Flávio 22”. A campanha considera que esse tipo de diferença pode afetar a igualdade de condições entre as candidaturas;
  • Os relatos, por si só, não comprovam uma orientação deliberada da empresa para beneficiar um candidato. A campanha pretende apresentar os registros e outros elementos às autoridades para que as suspeitas sejam examinadas.

Campanha também questiona alcance de publicações
As queixas vão além da produção de imagens por inteligência artificial. A equipe de Lula afirma ter enfrentado obstáculos para promover anúncios, problemas na contabilização de visualizações e restrições no alcance de publicações nas plataformas da Meta.

A coligação Brasil Pronto pra Mais já apresentou uma representação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), contestando o que considera um tratamento desigual. Entre os argumentos estão uma possível diminuição na distribuição de conteúdos vinculados à campanha petista e a divulgação de publicações favoráveis a Flávio Bolsonaro.

Os representantes do presidente também levantaram questionamentos sobre a resposta da empresa a perfis apontados como falsos ou automatizados. Conforme a campanha, 255 contas teriam registrado aproximadamente 58 milhões de visualizações e divulgado ataques contra Lula e a primeira-dama Janja Lula da Silva. Os dados fazem parte das acusações apresentadas pela equipe presidencial.

A iniciativa de recorrer a organismos internacionais ocorre paralelamente a outras ações para registrar os episódios. A campanha declarou que prepararia um relatório reunindo os indícios identificados. Além disso, representantes de entidades e partidos políticos de mais de 12 países já teriam participado de uma reunião virtual para discutir o caso. Um novo encontro também foi previsto com observadores internacionais registrados no TSE.

O que diz a Meta
A Meta nega utilizar seus sistemas para beneficiar ou prejudicar candidatos. Em manifestação anterior ao TSE, a empresa declarou que as falhas técnicas mencionadas pela campanha não se restringiram ao Brasil nem a contas específicas. A companhia também reafirmou seu compromisso com a aplicação uniforme das regras eleitorais e contestou a existência de provas técnicas que demonstrem uma manipulação intencional.

Em relação à criação de imagens eleitorais, a Meta informou à CNN Brasil que suspendeu temporariamente as recomendações de candidatos e a geração de imagens envolvendo essas figuras políticas. A empresa também afirmou ter implementado medidas extras para evitar que comandos contendo apenas o primeiro nome ou o número eleitoral sejam utilizados para produzir esse tipo de conteúdo. Procurada pelo Olhar Digital, a companhia de Mark Zuckerberg declarou que não comentará o assunto.

As denúncias ainda dependem da análise das autoridades responsáveis. O recurso à OEA pretende levar a questão para o cenário internacional, enquanto as reclamações encaminhadas ao TSE e à ANPD podem motivar novos pedidos de informações e avaliações sobre a conduta das plataformas durante o período eleitoral.

Fonte: Olhar Digital

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