Nave privada intercepta outra em missão inédita

Notícia chega menos de duas semanas após a Rocket Lab quebrar um recorde de prontidão para voo espacial

Uma operação da Força Espacial dos Estados Unidos, que posicionou dois satélites frente a frente no espaço, foi considerada bem-sucedida ao concluir sua primeira interceptação tática de um objeto em órbita.

A confirmação do resultado foi divulgada menos de duas semanas depois de a Rocket Lab estabelecer um novo recorde de preparação para um lançamento espacial. Em 19 de junho, a empresa enviou ao espaço o satélite Puma, pertencente à classe Pioneer, utilizando um foguete Electron. O equipamento correspondia ao segundo veículo da missão Victus Haze, da Força Espacial, e decolou apenas 16 horas e 42 minutos após o recebimento da notificação.

Dois satélites, uma simulação de combate
O primeiro satélite da missão, o JACKAL-0004, desenvolvido pela True Anomaly, foi colocado em órbita em maio a bordo de um foguete Falcon 9, da SpaceX. Desde então, permaneceu no espaço aguardando o lançamento — até aquele momento mantido em sigilo — do segundo veículo da missão. Após a chegada do Puma à órbita, ambos os satélites iniciaram operações rápidas de localização, aproximação e avaliação, simulando a interceptação e a identificação de possíveis espaçonaves adversárias.

O Comando de Sistemas Espaciais da Força Espacial determinou que a missão orbital fosse concluída em até 72 horas. Segundo um comunicado divulgado pela True Anomaly, a operação foi finalizada com sucesso 11 horas antes do prazo estabelecido.

A segunda missão de resposta tática espacial

  • Esta é a segunda missão de Espaço Taticamente Responsivo (TacRS) da Força Espacial. A primeira, a Victus Nox, foi lançada pela Firefly Aerospace em setembro de 2023 e teve como foco capacidades de conscientização do domínio espacial;
  • O engajamento tático de duas naves em órbita na missão Victus Haze representa uma conquista totalmente nova para a Força Espacial, que continua a fortalecer sua postura orbital diante de uma ameaça crescente de possíveis “satélites não conformes”, segundo um comunicado da Rocket Lab;
  • Durante a missão de caçar o Puma, o Jackal conseguiu demonstrar várias capacidades críticas, incluindo operações de proximidade e identificação por imagem de satélite.

“O Jackal atuou exatamente como projetado, demonstrando queimadas de propulsão precisas e aproximação nominal, rastreamento em circuito fechado bem-sucedido, apontamento de precisão, imageamento e caracterização do alvo antes de retornar à sua órbita base”, afirmou o comunicado da True Anomaly.

Cenários de resposta a ameaças
Segundo a Força Espacial, os dois satélites participaram de diversos cenários voltados à resposta contra ameaças no domínio espacial, além de realizarem “engajamentos dinâmicos entre si”.

“A Victus Haze está pronta para demonstrar ainda mais nossa capacidade de contar com nossos parceiros comerciais para negar, interromper e neutralizar qualquer vantagem adversária — não importa onde tentem operar no espaço”, disse o coronel Bryon McClain, executivo interino de aquisição de portfólio da Força Espacial, no comunicado.

Após o início das atividades da missão, a True Anomaly transferiu o controle do Jackal para o Mosaic, software de “superioridade espacial” desenvolvido pela empresa, responsável por coordenar o planejamento das operações em conjunto com o Puma. Já a plataforma Pioneer, utilizada pelo satélite Puma, foi desenvolvida, lançada e operada pela Rocket Lab.

“A Victus Haze prova que o lançamento responsivo e a caracterização responsiva são uma única capacidade. Adquira um novo objeto em questão de horas, feche a geometria e entregue as imagens. O próximo passo é a cadência: mais rápido, com mais frequência e em mais órbitas”, afirmou o comunicado à imprensa da True Anomaly.

Fonte: Olhar Digital

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