Como celulares Android detectaram o terremoto na Venezuela

Entenda como celulares Android enviaram alertas segundos antes do terremoto na Venezuela e como a tecnologia do Google funciona

Poucos segundos antes de o solo começar a balançar na Venezuela, milhões de celulares já exibiam um alerta de terremoto. A notificação foi enviada por um recurso disponível em dispositivos Android, que utiliza os sensores dos próprios smartphones para detectar os primeiros indícios de atividade sísmica.

Na noite de quarta-feira (24), o país foi atingido por dois terremotos de magnitudes 7,5 e 7,2, considerados os mais intensos desde 1900. O desastre deixou mais de 500 mortos e milhares de feridos após o desabamento de diversas construções. Até o momento, não há confirmação de quantas pessoas conseguiram buscar abrigo graças ao aviso emitido com antecedência, segundo o UOL.

Como o celular percebe que algo está acontecendo
Como explicamos aqui, na realidade, o celular não “prevê” um terremoto. O que ele faz é identificar os primeiros instantes do tremor. Fora dos Estados Unidos, o Google utiliza uma rede formada pelos próprios aparelhos Android distribuídos em diferentes localidades.

Cada dispositivo atua como um pequeno detector sísmico. Isso é possível graças ao acelerômetro, o mesmo sensor que reconhece quando o celular é inclinado, movimentado ou sofre uma queda. Quando esse componente identifica vibrações incomuns, ele envia automaticamente um sinal ao sistema do Google, acompanhado de uma localização aproximada.

O ponto mais importante é que um único aparelho, isoladamente, não fornece informações suficientes. Porém, quando milhares de celulares registram o mesmo tipo de vibração ao mesmo tempo, o sistema consegue identificar que um terremoto está em andamento.

Para onde vão esses sinais todos?
Esses dados são enviados aos servidores do Google em poucos segundos. Em vez de depender da informação de apenas um celular, o sistema reúne registros de diversos aparelhos espalhados por diferentes locais até criar uma espécie de “mapa do abalo”.

Todo esse procedimento acontece de forma muito rápida e praticamente imperceptível. Assim que o sistema confirma a ocorrência do terremoto, o alerta é enviado antes que as ondas mais intensas do tremor atinjam determinadas áreas.

O próprio Google faz uma comparação com o Waze, que utiliza informações de milhões de celulares para identificar o trânsito antes mesmo de o motorista encontrar um congestionamento.

“Todos os smartphones possuem pequenos acelerômetros capazes de detectar vibrações. Quando um telefone identifica algo que interpreta como um terremoto, ele envia um sinal ao servidor de detecção do Google, junto com a localização aproximada do tremor. O sistema então combina as informações para determinar onde a atividade sísmica está acontecendo.”

Nem todo alerta é igual
O Google informa que os alertas de maior prioridade são enviados somente quando o terremoto atinge magnitude igual ou superior a 4,5. A partir desse nível, o sistema passa a classificar as notificações em duas categorias distintas.

  • “Fique atento”: usado em tremores leves (intensidade 3 a 4), com vibração discreta no celular
  • “Aja agora”: voltado para tremores fortes, com som e vibração intensa, ignorando o modo “Não Perturbe”
  • O sistema depende da combinação de dados de vários celulares ao mesmo tempo
  • A detecção acontece em segundos, antes da chegada do tremor mais forte

Dá para saber se tremeu perto de você?
Além dos avisos emitidos automaticamente, há uma maneira prática de verificar se ocorreu alguma atividade sísmica próxima da sua localização. Para isso, basta pesquisar por “terremoto perto de mim” na busca do Google.

O aspecto mais interessante dessa tecnologia é justamente esse: ela não impede que um terremoto aconteça nem é capaz de prever o evento. O sistema apenas aproveita os poucos segundos existentes entre o início do tremor e a chegada das ondas mais intensas para alertar pessoas que possam estar em risco. Em situações como a registrada na Venezuela, esse pequeno intervalo de tempo pode ser decisivo.

Fonte: Olhar Digital

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