Asteroide poderia gerar o caos na Terra até se caísse na Lua, alerta estudo

O choque de um asteroide não muito grande contra a Lua lançaria detritos que poderiam destruir satélites cruciais para a vida na Terra

A colisão de um asteroide com a Lua teria potencial para causar consequências graves para a Terra — mesmo que o impacto não ocorresse diretamente aqui. Esse é o alerta feito por pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego, nos Estados Unidos.

O estudo, publicado na revista científica The Astrophysical Journal Letters, indica que um impacto de asteroide na superfície lunar poderia ejetar uma grande quantidade de fragmentos rochosos para o espaço. Esses detritos, segundo os autores, teriam potencial para atingir a órbita terrestre e comprometer satélites essenciais para comunicações, navegação e sistemas de defesa.

De acordo com o pesquisador Aaron Rosengren, integrante do Departamento de Engenharia Mecânica e Aeroespacial da Universidade da Califórnia em San Diego, “como a Lua não possui atmosfera para desacelerar ou queimar os detritos, um grande impacto pode lançar vastas quantidades de rocha no espaço”.

´´Parte desse material ejetado pode ser desviado pela gravidade da Terra para trajetórias complexas que representam um risco direto para satélites em órbita entre a Terra e a Lua, incluindo a futura infraestrutura de comunicação e navegação ao redor da Lua.´´
Aaron Rosengren, membro do corpo docente do Departamento de Engenharia Mecânica e Aeroespacial da UC San Diego

Efeito dominó de detritos espaciais da Lua ameaça inutilizar a órbita da Terra por séculos
O cenário mais extremo envolve a chamada Síndrome de Kessler, um processo em cadeia em que colisões entre satélites e fragmentos espaciais geram ainda mais detritos. Esse efeito poderia tornar grandes áreas da órbita baixa da Terra inutilizáveis por décadas ou até séculos.

Caso isso ocorresse, a degradação da infraestrutura orbital afetaria diretamente sistemas como GPS, serviços de internet, transmissões de televisão e previsões meteorológicas. Além disso, aplicações de uso militar, incluindo sistemas de defesa antimísseis, também seriam impactadas. Segundo o cenário descrito pelos pesquisadores, um asteroide com cerca de 60 metros de diâmetro atingindo a Lua já poderia ser suficiente para desencadear esse tipo de cascata de detritos.

A equipe da Universidade da Califórnia em San Diego (UC San Diego), em parceria com a University of Arizona, utiliza modelos matemáticos para simular trajetórias de baixa probabilidade que métodos convencionais de rastreamento muitas vezes não conseguem detectar. O objetivo é identificar rotas incomuns de asteroides que possam resultar em impacto com a Lua.

Os pesquisadores Rosengren, Thomas Bewley e Ben Hanson estudam como os fragmentos gerados nesses impactos podem permanecer em órbita próxima da Terra por períodos que chegam a dezenas de milhares de anos.

Para evitar esse tipo de colisão, especialistas da engenharia aeroespacial apontam que seria necessário um alerta com antecedência de cinco a dez anos. Esse tempo permitiria planejar, financiar e lançar uma missão de deflexão capaz de alterar a trajetória do asteroide. Missões como a DART já demonstraram a viabilidade de mudar o curso de corpos celestes por meio de impacto cinético.

Atualmente, sistemas como o Pan-STARRS e o ATLAS monitoram o céu em busca de objetos potencialmente perigosos, enviando dados para o Minor Planet Center.

Apesar disso, cerca de 95% dos asteroides de grande porte já terem sido catalogados, a maioria dos objetos menores — com dezenas de metros de diâmetro — ainda não foi detectada. O evento de Chelyabinsk, ocorrido na Rússia em 2013, reforçou esse risco ao mostrar os danos que corpos menores, porém mais numerosos, podem causar.

Fonte: Olhar Digital

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