Amazon compra Globalstar e acirra disputa com Elon Musk pelo espaço
Amazon paga US$ 11,57 bilhões pela Globalstar, dona da tecnologia usada no SOS de iPhones. Compra acirra disputa com Elon Musk

Jeff Bezos decidiu intensificar ainda mais a disputa na corrida espacial. A Amazon anunciou nesta terça-feira (14) a aquisição da operadora de satélites Globalstar por US$ 11,57 bilhões, em um movimento estratégico para diminuir a vantagem da Starlink, pertencente a Elon Musk.
A notícia, que já vinha sendo ventilada nos bastidores há algumas semanas, impulsionou fortemente o mercado: as ações da Globalstar saltaram mais de 9% no pré-mercado logo após o anúncio. O movimento reflete não apenas o otimismo dos investidores com a aquisição pela Amazon, mas também a expectativa de expansão no setor de conectividade via satélite, que vive um momento de forte crescimento global.
Em 2025, os papéis da empresa já haviam praticamente dobrado de valor, impulsionados por parcerias estratégicas e pela crescente demanda por soluções de comunicação em áreas remotas. Já em 2026, antes mesmo da confirmação do acordo, as ações acumulavam alta de cerca de 12%, indicando que parte do mercado já antecipava uma movimentação relevante envolvendo a companhia.
Frota em crescimento
A Amazon conta atualmente com pouco mais de 200 satélites em órbita baixa, mas seus planos são bastante ousados: a empresa pretende expandir essa constelação para cerca de 3.200 unidades até 2029. No entanto, enfrenta um desafio regulatório significativo, já que precisa colocar em operação ao menos metade dessa frota até julho deste ano para cumprir exigências. Seu serviço de internet via satélite, chamado Amazon Leo (anteriormente conhecido como Project Kuiper), tem estreia prevista para 2026 e é visto como peça-chave na estratégia da companhia para competir no setor.
Do outro lado dessa disputa, a Starlink já opera mais de 10 mil satélites e ultrapassa a marca de 9 milhões de usuários ao redor do mundo, consolidando uma liderança confortável no mercado. A diferença entre as duas empresas ainda é grande, mas Jeff Bezos aposta em investimentos pesados e na sinergia com a Blue Origin, sua empresa aeroespacial, para diminuir essa distância nos próximos anos.

Compra vai além da constelação de satélites
Com sede na Louisiana, a Globalstar é uma empresa já conhecida no setor espacial. Ela é responsável pela tecnologia que torna possível o recurso “SOS de Emergência” nos iPhones da Apple. Atualmente, sua constelação é reduzida, com cerca de duas dezenas de satélites em operação, mas a empresa revelou no fim do ano passado um plano de expansão para chegar a 54 unidades, contando com o apoio da própria Apple para viabilizar o projeto.

Além do mercado de consumo, a Globalstar também presta serviços para empresas e órgãos governamentais, oferecendo soluções de voz, transmissão de dados e monitoramento de ativos. Para a Amazon, que possui na AWS um de seus negócios mais rentáveis e uma operação logística de grande escala, incorporar essa infraestrutura ao seu ecossistema pode representar uma vantagem estratégica importante, ainda que o investimento necessário para essa entrada seja da ordem de bilhões de dólares.
Fonte: Olhar Digital
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