Estrelas anãs vermelhas devoram planetas ao redor, diz estudo

Astrônomos encontraram algumas das evidências mais fortes até agora de que as estrelas podem engolir seus próprios planetas

Um estudo publicado nesta quinta-feira (28) na revista científica Monthly Notices of the Astronomical Society aponta que astrônomos encontraram as primeiras evidências de que estrelas anãs vermelhas podem destruir e absorver os próprios planetas. A descoberta oferece novas pistas sobre a evolução dos sistemas planetários ao longo de bilhões de anos.

As anãs vermelhas são estrelas menores, mais frias e menos luminosas que o Sol, sendo também as mais abundantes da Via Láctea. Embora os cientistas já considerassem a possibilidade de esses astros engolirem planetas que orbitam muito próximos, até agora não havia evidências concretas que confirmassem esse processo.

Presença de lítio gerou desconfiança
A análise foi realizada com base nos dados do projeto Gaia-ESO Spectroscopic Survey, conduzido pelo Observatório Europeu do Sul (ESO), que investiga a composição química de diferentes estrelas. Durante o estudo, os pesquisadores encontraram anãs vermelhas apresentando níveis inesperadamente altos de lítio, um elemento que, em condições normais, não deveria ser abundante nesses tipos de astros.

Isso ocorre porque o interior dessas estrelas atinge temperaturas extremamente elevadas. Nesse ambiente, o lítio tende a ser rapidamente destruído nas reações nucleares que geram energia estelar. Por isso, a detecção desse elemento em anãs vermelhas chamou a atenção dos cientistas e levantou novas hipóteses sobre sua origem.

De acordo com o pesquisador Robin Jeffries, da Universidade de Keele, no Reino Unido, mesmo pequenas quantidades de lítio já são detectáveis nessas estrelas. Ele descreveu o fenômeno como algo semelhante a lançar tinta sobre uma superfície completamente branca, onde qualquer vestígio do elemento se destaca com facilidade.

Os cientistas sugerem que o lítio observado pode ter origem em planetas que foram engolidos pelas próprias estrelas. A equipe encontrou seis anãs vermelhas distribuídas em três aglomerados estelares diferentes com concentrações muito superiores ao esperado, o que fortalece a hipótese de que esses astros tenham incorporado material planetário recentemente.

Anãs vermelhas são as estrelas mais comuns da Via Láctea
Com base em análises mais aprofundadas, os cientistas estimam que algumas dessas estrelas possam ter absorvido uma massa equivalente a três até dez planetas do tamanho da Terra. Esse material teria sido responsável por enriquecer temporariamente suas camadas externas com lítio.

O estudo também aponta que esse fenômeno pode ser relativamente comum no Universo. Como as anãs vermelhas representam cerca de 75% das estrelas da Via Láctea, cresce a possibilidade de que inúmeros sistemas planetários tenham passado por processos semelhantes de destruição.

Os pesquisadores agora buscam entender em que estágio da evolução dessas estrelas o engolfamento de planetas ocorre com maior frequência. A expectativa é que novas investigações ajudem a esclarecer como os sistemas planetários se formam, evoluem e eventualmente se desintegram ao longo do cosmos.

Fonte: Olhar Digital

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