Missão STORIE vai investigar de onde vem a misteriosa “corrente anelar” da Terra
A missão STORIE, colaboração entre a NASA e a Força Espacial dos EUA, vai rastrear faixa invisível de partículas ao redor da Terra

A corrente anelar é um fluxo invisível de partículas carregadas que orbita a Terra em formato de anel. Sobreposta aos cinturões de Van Allen, ela gera correntes elétricas essenciais, cujas variações moldam a resposta do planeta a tempestades solares, afetando tecnologias vitais – Crédito: NASA/Mary Pat Hrybyk-Keith/Kristen Perrin
Uma missão criada pela NASA em colaboração com a Força Espacial dos Estados Unidos pretende investigar uma estrutura invisível que circunda a Terra e pode influenciar satélites, redes de energia e sistemas de comunicação. Esse fenômeno é conhecido como “corrente anelar” e corresponde a uma região composta por partículas eletricamente carregadas aprisionadas pelo campo magnético terrestre, formando uma espécie de anel semelhante a uma rosquinha ao redor do planeta.
Batizada de STORIE, sigla em inglês para “Estudo da evolução da corrente anelar de oxigênio durante tempestades solares”, a missão tem como principal meta identificar a origem dessas partículas: se elas vêm do Sol ou da própria atmosfera da Terra. A resposta pode ajudar pesquisadores a compreender melhor os fenômenos ligados ao chamado clima espacial, que influencia diretamente o ambiente ao redor do planeta e suas tecnologias.
Em resumo:
- Missão será lançada para estudar uma faixa invisível de partículas ao redor da Terra;
- Essa região pode provocar falhas em satélites, energia e comunicações;
- Cientistas querem descobrir se partículas vêm do Sol ou da atmosfera;
- Instrumento será levado pela SpaceX à ISS para observar tempestades solares mais detalhadamente;
- Pesquisa ajudará a proteger tecnologias usadas diariamente em todo o planeta.

A corrente anelar é um “enxame” invisível de partículas que circula a Terra em formato de rosca. Situada junto aos Cinturões de Van Allen, ela possui menor energia, mas gera eletricidade através do movimento oposto de prótons e elétrons. Essas correntes são fundamentais: em tempestades solares, elas alteram o magnetismo terrestre, podendo afetar satélites e tecnologias essenciais para o nosso dia a dia – Crédito: NASA/Mary Pat Hrybyk-Keith/Kristen Perrin
Segundo os pesquisadores, essas partículas podem impactar diretamente tecnologias que operam tanto no espaço quanto na superfície terrestre. Em períodos de intensa atividade solar, elas têm potencial para provocar falhas em satélites, interferências em sistemas de navegação e até instabilidades em redes de energia elétrica.
O estudo se torna ainda mais relevante porque o Sol está atualmente passando pelo pico de seu ciclo de atividade, que ocorre aproximadamente a cada 11 anos. Nessa fase, há um aumento na ocorrência de explosões solares e na liberação de partículas carregadas em direção ao espaço.
Missão será lançada pela SpaceX
O instrumento STORIE está previsto para ser enviado à Estação Espacial Internacional na próxima terça-feira (12), a bordo da 34ª missão comercial de reabastecimento da SpaceX para a NASA (CRS-34).
O equipamento também integra um programa de testes no espaço vinculado ao Departamento de Defesa dos Estados Unidos.
Após a chegada à Estação Espacial Internacional, o instrumento será instalado externamente na estrutura por meio de um braço robótico. A partir desse ponto, ele começará a monitorar a corrente anelar ao redor da Terra sob diferentes posições e ângulos.

O Sol emite de forma contínua partículas eletricamente carregadas por meio do chamado vento solar. Em fases de maior atividade, podem ocorrer também as ejeções de massa coronal, grandes explosões que liberam vastas nuvens de partículas que se espalham pelo Sistema Solar.
Quando essas partículas se aproximam da Terra, uma parte delas fica retida pelo campo magnético do planeta, formando a chamada corrente anelar — uma espécie de cinturão energético que envolve a Terra.
Os cientistas também investigam o que ocorre quando algumas dessas partículas conseguem escapar dessa região. Em certos casos, partículas positivas podem capturar elétrons presentes na atmosfera terrestre, tornando-se neutras e deixando de ser influenciadas pelo campo magnético.
Essas partículas neutras, conhecidas como átomos neutros energéticos, conseguem se deslocar livremente pelo espaço. O STORIE será responsável por monitorar sua velocidade e direção, ajudando a identificar a origem da corrente anelar e a compreender seu comportamento durante tempestades solares.
“Corrente anelar” pode afetar sistemas tecnológicos importantes na Terra
Outro objetivo da missão é observar como essa “rosquinha” espacial varia em tamanho, forma e intensidade elétrica durante períodos de forte atividade solar. Essas mudanças podem afetar diretamente sistemas tecnológicos essenciais na Terra.
Os pesquisadores também estudam de que forma a energia da corrente anelar pode impactar infraestruturas como oleodutos, redes de transmissão elétrica e satélites em órbita. Em alguns casos, o aumento dessa energia aquece as camadas superiores da atmosfera terrestre, provocando sua expansão.
Quando isso ocorre, os satélites passam a enfrentar maior resistência ao se deslocar no espaço. Como consequência, podem perder altitude mais rapidamente e ter sua vida útil reduzida, encerrando suas operações antes do tempo previsto.
O principal diferencial da STORIE em relação a missões anteriores é a capacidade de observar a corrente anelar sob diferentes perspectivas ao redor do planeta, já que a Estação Espacial Internacional completa uma órbita terrestre aproximadamente a cada 90 minutos, permitindo medições mais contínuas e detalhadas.
Para a NASA, as informações coletadas poderão aprimorar as previsões de clima espacial e contribuir para a proteção de tecnologias usadas no cotidiano. Isso inclui desde satélites de comunicação até redes elétricas e sistemas de navegação, dos quais a sociedade moderna depende cada vez mais.
Fonte: Olhar Digital
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