China resiste a chips da Nvidia mesmo após encontro entre Trump e Xi Jinping

EUA liberaram venda de chips avançados da Nvidia, mas o governo chinês ainda não aprovou a compra

A presença de Jensen Huang, diretor-executivo da Nvidia, na delegação que acompanhou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em sua viagem à China nesta semana, elevou as expectativas de um possível progresso nas conversas sobre a comercialização de chips de inteligência artificial para o mercado chinês. Porém, após o encerramento do encontro entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping, a situação ainda permanece incerta.

No fim do ano passado, a administração de Donald Trump liberou a exportação do chip H200, um dos equipamentos mais modernos da Nvidia, para a China. Apesar dessa autorização, Pequim ainda não deu sinal verde para que empresas chinesas realizem a compra.

Em vez disso, o governo chinês continua estimulando suas empresas a utilizarem tecnologias desenvolvidas no próprio país, com destaque para as soluções criadas pela Huawei e por outras fabricantes chinesas de semicondutores.

Essa política ganhou ainda mais destaque pouco antes da reunião entre Trump e Xi Jinping. A startup chinesa DeepSeek informou que sua versão mais recente de inteligência artificial foi adaptada para operar com chips produzidos pela Huawei, em um passo considerado importante na tentativa da China de diminuir sua dependência tecnológica dos Estados Unidos.

O próprio Jensen Huang já havia chamado atenção para esse movimento. De acordo com ele, as empresas chinesas de inteligência artificial tendem a usar cada vez mais equipamentos fabricados internamente, o que pode reduzir a influência dos Estados Unidos no desenvolvimento da IA no país asiático.

Apesar da presença de Jensen Huang em Pequim, a questão não aparentou ser um dos principais assuntos debatidos entre os dois governos. Em entrevista à Bloomberg News, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, declarou que a decisão de adquirir mais chips da Nvidia depende exclusivamente da própria China.

Greer também afirmou que os controles de exportação de chips não foram discutidos durante as reuniões.

EUA quer conter avanço da indústria de chips na China
Os Estados Unidos têm adotado restrições às exportações como uma estratégia para frear o progresso da China em setores considerados essenciais, como a inteligência artificial e a produção de semicondutores de última geração.

De acordo com Jamieson Greer, o governo chinês considera a superioridade americana nesse segmento um entrave para o crescimento tecnológico do país. Segundo ele, quando os Estados Unidos mantêm vantagem sobre os concorrentes, como ocorre no mercado de chips para IA, os chineses podem interpretar isso como um fator que dificulta sua própria evolução.

Conforme informou o The New York Times, Donald Trump também abordou o assunto em conversa com jornalistas a bordo do Air Force One na noite de sexta-feira. Na avaliação de Trump, a China decidiu priorizar o desenvolvimento de tecnologia nacional em vez de comprar o chip H200 da Nvidia. Ainda assim, o presidente indicou que acredita que essa situação pode mudar no futuro.

Fonte: Olhar Digital

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