Artemis 2: veja como ficou o escudo térmico da nave após passagem desafiadora pela atmosfera

A reentrada na atmosfera da Terra submeteu a nave Orion, da Artemis 2, a temperaturas elevadíssimas de até 2.800ºC

Há uma semana, no dia 10 de abril, a missão Artemis 2 completou com êxito sua jornada ao redor da Lua e retornou à Terra. A cápsula Orion, nomeada “Integrity” pela tripulação, fez um pouso seguro no Oceano Pacífico depois de superar uma das fases mais desafiadoras da missão: a reentrada na atmosfera terrestre, que ocorreu a uma velocidade extremamente alta.

Durante esse procedimento, a nave enfrentou condições extremamente adversas. Ao entrar na atmosfera, o atrito com o ar gerou um aumento significativo da temperatura externa, chegando a aproximadamente 2.800°C. Para proteger a tripulação e o interior da cápsula, um escudo térmico foi instalado, impedindo que o calor intenso gerado durante a descida afetasse a nave.

Pouso da missão Artemis 2, após a primeiro voo tripulado à Lua em mais de meio século – Crédito: NASA

Em resumo:

  • Missão Artemis 2 retornou com sucesso após volta em torno da Lua;
  • Reentrada na atmosfera terrestre atingiu cerca de 2800°C;
  • Escudo térmico protegeu cápsula Orion na descida;
  • Artemis 1 já havia mostrado desgaste acima do esperado nessa estrutura;
  • NASA modificou o ângulo de entrada para a Artemis 2;
  • Comandante da missão disse que a descida foi tranquila.

O mesmo tipo de escudo térmico foi utilizado na missão não tripulada Artemis 1, em 2022. Naquela missão, o componente apresentou um desgaste superior ao previsto. Esse resultado gerou uma série de análises e discussões entre engenheiros e especialistas, uma vez que o escudo é uma peça crucial para garantir o sucesso da reentrada de naves em missões de alta velocidade vindas do espaço profundo.

NASA não alterou escudo térmico mesmo com desgaste na missão anterior
Apesar dos problemas observados na Artemis 1, a NASA decidiu manter o mesmo projeto de escudo térmico para a Artemis 2. A principal diferença foi a trajetória de reentrada da cápsula, que foi mais inclinada. Isso fez com que a nave ficasse exposta por menos tempo ao pico de calor, diminuindo a carga térmica sobre a estrutura.

Os quatro astronautas da missão Artemis 2 inspecionam sua cápsula Orion “Integrity” no dique do porta-aviões USS John P. Murtha no dia seguinte ao pouso – Crédito: NASA

Após o pouso no oceano, os quatro astronautas da missão, Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen, realizaram uma inspeção visual imediata na cápsula. De acordo com os primeiros relatos, o escudo térmico mostrou uma boa condição geral, com apenas algumas pequenas áreas carbonizadas próximas à região de conexão com a estrutura da nave.

Segundo o site Space.com, o comandante Wiseman ressaltou que, ao olhar o escudo, a parte inferior parecia estar em excelente estado de preservação. Ele comentou: “Certamente, quando nos aproximamos da cápsula, percebemos uma pequena perda de material carbonizado na área que chamamos de ombro, onde o escudo térmico se conecta à estrutura cônica da espaçonave. Mas a parte inferior (nos inclinamos e observamos a parte de baixo da nave) parecia excelente.” Wiseman também acrescentou que “a descida de volta à Terra foi realmente impressionante e muito tranquila.”

Artemis 2 prepara retorno da humanidade ao solo lunar
Nas próximas semanas, a NASA realizará análises mais detalhadas sobre o desempenho do escudo térmico. A Artemis 2 representa um marco significativo na avaliação desse tipo de proteção, que passará por ajustes nas etapas futuras do programa.

A próxima missão, Artemis 3, irá testar a integração da cápsula Orion com os módulos de pouso desenvolvidos por empresas privadas, em órbita da Terra. Já a Artemis 4, prevista para 2028, deverá marcar o retorno de astronautas à superfície lunar, com um pouso na região do polo sul da Lua.

Fonte: Olhar Digital

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