Google alertou 11,4 milhões de pessoas antes de terremoto mortal

Sistema de alerta do Android identificou abalos sísmicos em segundos e enviou avisos antes do terremoto devastador na Venezuela

O Google disparou notificações de terremoto para aproximadamente 11,4 milhões de pessoas antes dos fortes abalos sísmicos que atingiram a Venezuela. O sistema utilizou smartphones com Android para detectar rapidamente as primeiras vibrações do solo e alertar a população antes da chegada das ondas sísmicas de maior intensidade.

Sem contar com um sistema nacional de alerta para terremotos, o país recorreu à tecnologia da empresa para reduzir parte dos impactos causados pelos tremores, que, segundo o The New York Times, deixaram mais de mil mortos.

O sensor do celular que virou aliado contra terremotos
Como já explicamos, o sistema de alertas de terremoto do Android utiliza um recurso que já está presente na maioria dos smartphones: o acelerômetro. Esse sensor é responsável por identificar a posição do aparelho, como na vertical ou na horizontal, e também pode detectar vibrações características de um terremoto em determinadas situações.

Embora faça parte do funcionamento diário do celular, o acelerômetro costuma passar despercebido pelos usuários. Para conseguir identificar um tremor, no entanto, o smartphone precisa estar parado sobre uma superfície estável. Caso esteja no bolso ou sendo utilizado, o sistema não consegue reconhecer corretamente as vibrações.

Quando diversos aparelhos localizados na mesma região detectam esse padrão ao mesmo tempo, as informações são enviadas ao Google. A empresa então compara os dados recebidos para calcular a localização e a intensidade do terremoto antes de emitir os alertas aos usuários.

Entre as funções do sistema estão:

  • detectar vibrações por meio do acelerômetro;
  • comparar informações enviadas por celulares próximos;
  • calcular onde ocorreu o tremor e sua intensidade;
  • enviar alertas para as áreas com maior risco

A corrida contra o tempo
A Venezuela foi atingida por dois fortes terremotos em sequência e continua registrando outros tremores de menor intensidade. O primeiro abalo alcançou magnitude 7,2. Apenas 39 segundos depois, um segundo terremoto, de magnitude 7,5, atingiu o país, tornando-se o mais intenso já registrado na região desde 1900.

O Google detectou os primeiros sinais do tremor apenas três segundos após a chegada da onda sísmica inicial. Em seguida, a empresa levou mais seis segundos para confirmar o terremoto e começar a enviar os alertas aos usuários.

Embora esse tempo pareça curto, ele pode ser suficiente para que parte da população receba a notificação antes da chegada da segunda onda sísmica, que se desloca mais lentamente e costuma provocar os maiores danos.

Nem todo mundo recebeu o mesmo alerta
Os alertas enviados variavam de acordo com a intensidade estimada do tremor em cada local. Nas regiões consideradas de maior risco, a notificação ocupava toda a tela do smartphone, emitia um som de emergência e orientava os moradores a adotarem medidas de proteção imediatamente.

Ao todo, cerca de 1,4 milhão de pessoas receberam o nível máximo de alerta. Somando todas as categorias de aviso, aproximadamente 11,4 milhões de usuários foram notificados.

As pessoas que estavam mais afastadas do epicentro tiveram um tempo maior para se preparar e, em algumas situações, receberam o alerta até dois minutos antes da chegada do tremor. Segundo o Google, a tecnologia já identificou mais de 18 mil terremotos e enviou cerca de 790 milhões de notificações em mais de 100 países. Na Venezuela, o sistema acabou compensando a ausência de um mecanismo nacional de alerta antecipado.

Fonte: Olhar Digital

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