NASA quer descartar no oceano a Estação Espacial Internacional, mas ambientalistas criticam o plano
Estratégia para desorbitar a ISS reacende debate sobre impactos no oceano, responsabilidade ambiental e direito internacional

De acordo com uma reportagem publicada pelo Space nesta quinta-feira (25), o plano da NASA para encerrar as operações da Estação Espacial Internacional no final desta década passou a receber críticas de especialistas em conservação dos oceanos e também de um órgão de fiscalização dos Estados Unidos. A proposta prevê conduzir a estrutura até uma região isolada do Oceano Pacífico, porém ambientalistas afirmam que a decisão precisa considerar uma avaliação mais detalhada sobre os possíveis impactos ambientais.
Os questionamentos surgiram após a divulgação de um relatório do Government Accountability Office (GAO), que apresenta o cronograma de aposentadoria da estação e a transição para futuras plataformas comerciais em órbita terrestre baixa. Ao mesmo tempo, a Ocean Foundation declarou que o procedimento evidencia falhas nas normas internacionais relacionadas ao descarte de resíduos espaciais em alto-mar.
Mesmo que a operação tenha como finalidade diminuir os riscos para áreas habitadas, organizações voltadas ao meio ambiente argumentam que a falta de pesquisas conclusivas sobre os efeitos da queda dos destroços no ecossistema marinho torna indispensável ampliar as discussões antes da realização do plano.
Especialistas cobram avaliação ambiental antes da reentrada da ISS

De acordo com o cronograma apresentado no relatório do GAO, a Estação Espacial Internacional deverá iniciar sua perda gradual de altitude entre 2028 e 2029. Nesse primeiro momento, o processo ocorrerá com o auxílio da resistência natural da atmosfera e de manobras realizadas pelo módulo russo da estação. Em seguida, um Veículo de Desorbitação dos Estados Unidos, desenvolvido pela SpaceX para a NASA, será acoplado ao laboratório orbital para conduzir sua reentrada controlada na atmosfera.
O relatório informa que a estação será direcionada para Point Nemo, uma área localizada no Pacífico Sul conhecida por ser o ponto mais distante de qualquer região habitada do planeta. A previsão da agência espacial é que a maior parte da estrutura seja destruída durante a reentrada, enquanto os componentes mais resistentes afundem no oceano.
Para a Ocean Foundation, porém, a escolha desse destino evidencia uma limitação das atuais normas internacionais. Segundo Mark Spalding, presidente da entidade, a legislação prevê compensações quando destroços espaciais provocam danos ao território de um país, mas não estabelece a mesma responsabilidade quando os impactos acontecem em águas internacionais.
Ao falar sobre o tema ao Space.com, Spalding reconheceu que existe uma justificativa para escolher uma região remota do planeta, mas ressaltou que isso não elimina a necessidade de proteção ambiental. “A distância do oceano em relação à infraestrutura humana não deve ser confundida com ausência de valor ou de vulnerabilidade. O oceano e seus habitantes merecem a mesma proteção que o direito internacional oferece aos territórios nacionais.”

Outro aspecto destacado pela entidade envolve a ausência de informações mais detalhadas sobre os materiais que conseguirão resistir à reentrada na atmosfera. Segundo Spalding, ainda não há pesquisas suficientes para determinar exatamente quais partes da estrutura chegarão ao fundo do oceano nem quais impactos poderão causar aos ecossistemas marinhos.
A fundação também afirma que os possíveis efeitos ambientais não se restringem ao momento em que os destroços atingirem o mar. Na avaliação da organização, todo o processo de reentrada atmosférica da maior estrutura já retirada de órbita deveria ser analisado por estudos específicos capazes de medir eventuais consequências ambientais.
Conforme a Ocean Foundation, outro tema importante envolve o Acordo BBNJ, tratado internacional voltado à preservação da biodiversidade em áreas situadas além das jurisdições nacionais. Para a entidade, diante das incertezas relacionadas aos impactos ambientais da operação, é válido discutir se a desativação da ISS deveria cumprir as exigências estabelecidas por esse acordo.
Entre as propostas defendidas pela organização estão a realização de uma avaliação completa dos possíveis impactos ambientais, a divulgação pública dos materiais que chegarão ao fundo do oceano e uma análise jurídica sobre as responsabilidades previstas em tratados internacionais voltados à proteção dos mares.
Fonte: Olhar Digital
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