Asteroides guardam segredos da formação do Sistema Solar
O Programa Olhar Espacial recebeu pesquisadoras da UNESP para explicar como simulações e observações revelam “segredos” dos asteroides

Quando falamos em asteroides, é comum que eles sejam logo ligados a ideias de impactos e possíveis catástrofes. Porém, a relevância desses corpos para a ciência vai muito além do risco de colisão com a Terra. Eles são vistos como verdadeiros vestígios da origem do Sistema Solar, preservando dados importantes sobre os processos que formaram os planetas e auxiliando os cientistas a reconstituir parte da história da nossa vizinhança no espaço.
As participantes do programa Olhar Espacial foram Nicoli Rocha Santos e Maria Luisa Martins Gonçalves, mestrandas em Física e Astronomia pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), campus de Guaratinguetá. As pesquisadoras desenvolvem trabalhos voltados ao estudo da caracterização física e do comportamento dinâmico de asteroides.
Asteroides ajudam a entender a origem do Sistema Solar
Por terem passado por poucas mudanças ao longo de bilhões de anos, os asteroides atuam como uma espécie de registro natural das fases iniciais do Sistema Solar. De acordo com as pesquisadoras, esses corpos guardam informações valiosas sobre como a nossa vizinhança cósmica se formou. “Eles foram muito pouco afetados pelos bilhões de anos de existência do Sistema Solar. É como se realmente guardassem essas informações. Eles guardam as informações de tudo que formou o Sistema Solar”, explicaram durante o programa.

Os asteroides também possuem uma grande variedade em sua composição. Segundo as convidadas, há corpos formados por materiais diferentes, o que depende tanto da região em que se originaram quanto das famílias às quais pertencem. “Existem vários tipos. Tem alguns que são de gelo, outros de metal e de pedra. Isso está muito ligado à região onde surgiram ou às famílias de asteroides que existem”, destacaram.
Simulações revelam detalhes da superfície e da gravidade
Além do valor científico, esse tipo de estudo também tem aplicações relevantes na exploração espacial. Antes de enviar uma sonda para um asteroide, é preciso compreender características como o campo gravitacional, as áreas mais estáveis e as condições que podem afetar o funcionamento da espaçonave. Esses dados são essenciais para diminuir riscos e aumentar o potencial científico das missões.

Na UNESP de Guaratinguetá, os cientistas trabalham com simulações computacionais sofisticadas para recriar a estrutura tridimensional de asteroides. Esse método possibilita estudar propriedades como relevo, campo gravitacional, estabilidade da superfície, distribuição de materiais e o comportamento de partículas e sondas ao redor desses corpos celestes. Entre os objetos analisados pelo grupo está o asteroide Eurybates, um dos alvos principais da missão Lucy.
Para determinar a forma desses asteroides, os pesquisadores recorrem a técnicas de observação como a fotometria. A partir da chamada curva de luz, é possível extrair informações importantes sobre suas características físicas. “Com a fotometria, a gente extrai a curva de luz, que nos fornece essas características. Com ela conseguimos descobrir o período de rotação e até o alongamento do corpo. Dependendo da amplitude da curva, conseguimos saber se ele é mais alongado ou mais achatado e, assim, construir um modelo de forma 3D”, explicaram as pesquisadoras.
Nicoli Rocha Santos é mestranda em Física e Astronomia pela UNESP de Guaratinguetá e bolsista da CAPES. Ela desenvolve pesquisas em astronomia observacional e dinâmica de asteroides, com foco em corpos estudados por missões espaciais. Já Maria Luisa Martins Gonçalves é formada em Licenciatura em Matemática pela UNESP de Guaratinguetá e atualmente cursa mestrado em Física e Astronomia na mesma instituição, com interesse em ensino, divulgação científica e aplicação de tecnologias na educação.
Fonte: Olhar Digital
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