Descoberta do Hubble surpreende e revela segredo do universo primitivo
Descoberta do Hubble revela galáxia distante que pode explicar a transição do universo primitivo para um cosmos transparente à radiação

O Telescópio Espacial Hubble captou a imagem de uma galáxia muito distante que, segundo muitos pesquisadores, seria difícil ou até impossível de ser observada. Esse achado ajuda a compreender como o universo superou a antiga “névoa” de hidrogênio que impedia a passagem da luz.
De acordo com o Space.com, os dados sugerem que um conjunto de estrelas extremamente quentes e de grande massa teve um papel fundamental em tornar o cosmos transparente há bilhões de anos.

De impossível a realidade
A galáxia MXDFz4.4 existia aproximadamente 1,4 bilhão de anos após o Big Bang e chamou a atenção por emitir luz ultravioleta em um período em que o universo ainda era dominado por hidrogênio neutro, um gás que bloqueia esse tipo de radiação.
Foi nesse intervalo conhecido como Era da Reionização que esse cenário começou a se transformar. Gradualmente, o hidrogênio neutro passou a ser ionizado, o que permitiu que a luz conseguisse atravessar o espaço e alterou completamente a aparência do cosmos.
Ao longo do tempo, os astrônomos passaram a focar suas pesquisas em possíveis fontes capazes de gerar radiação suficiente para desencadear essa mudança.
- buracos negros supermassivos ativos;
- primeiras gerações de estrelas quentes e massivas;
- surtos de formação estelar;
- ondas de radiação ionizante.
Em 2023, o Telescópio Espacial James Webb já havia identificado uma galáxia com capacidade de ionizar o gás ao seu redor. Agora, o Hubble foi ainda mais longe ao captar diretamente a radiação ultravioleta emitida pela MXDFz4.4.
“Considerava-se que observar uma galáxia desse tipo seria impossível”, declarou Ilias Goovaerts, do Space Telescope Science Institute (STScI), em Baltimore, responsável pelo estudo.
“Os cientistas esperavam que a ‘névoa’ de hidrogênio neutro presente no universo primitivo fosse tão densa que acabasse bloqueando a nossa visão dessa luz ionizante. No entanto, o Hubble não só detectou essa radiação, como também permitiu revelar detalhes impressionantes sobre as características da galáxia.”
Uma pequena galáxia com um papel gigante
A MXDFz4.4 foi detectada inicialmente pelo instrumento MUSE, instalado no Very Large Telescope (VLT), pertencente ao Observatório Europeu do Sul, no Chile. Seu redshift de 4,4 sugere que ela já existia há aproximadamente 12,37 bilhões de anos.
Um ponto que impressiona é que, mesmo sendo cerca de 100 vezes menor do que a Via Láctea, essa galáxia apresenta uma taxa de formação estelar dez vezes mais intensa.
Esse fator foi o que mais chamou a atenção dos cientistas. Grande parte dessas estrelas está reunida em um aglomerado compacto e muito luminoso, considerado uma espécie de “fonte” de radiação ultravioleta.
´´O aglomerado contém muitas estrelas jovens, quentes e massivas em um espaço reduzido, [que] são mais eficazes em romper o gás opaco.´´
Ilias Goovaerts, do Space Telescope Science Institute (STScI), em nota.

Como a “névoa” do universo desapareceu
A análise combinada dos dados do Hubble e do James Webb trouxe outro ponto relevante à tona. Os pesquisadores perceberam que as estrelas desse sistema se formaram em episódios sucessivos. A cada nova geração, a emissão de radiação ionizante aumentava, facilitando a abertura de caminhos para que a luz conseguisse escapar.
“Os astrônomos já identificaram várias galáxias que existiram nessa etapa da história do universo, mas não detectamos fótons ionizantes em nenhuma delas, o que torna a MXDFz4.4 especial”, afirmou Marc Rafelski, vice-chefe da missão Hubble no STScI.
Segundo Rafelski, a descoberta de outras galáxias com características semelhantes será essencial para compreender como o universo se tornou transparente ao final da Era da Reionização.
Ainda existem muitas dúvidas sobre esse período tão distante da história cósmica. Mesmo assim, o resultado reforça que o Hubble, apesar de décadas em operação, ainda é capaz de revelar fenômenos que antes pareciam inacessíveis aos astrônomos.
Fonte: Olhar Digital
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