Estados Unidos dizem que BYD colabora com militares na China; entenda
Medida impede futuras contratações pelo Pentágono e amplia a pressão de Washington sobre empresas chinesas estratégicas

Na última segunda-feira (8), o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, conhecido como Pentágono, divulgou uma atualização de sua relação de empresas apontadas como ligadas às Forças Armadas da China. Com a revisão, a lista passou a reunir 188 companhias.
Entre os novos nomes adicionados estão grandes empresas do setor de tecnologia, como Baidu, BYD e Alibaba. A atualização também incluiu as fabricantes de robótica Unitree e Robosense Technology, as produtoras de semicondutores CXMT e YMTC, a empresa de biotecnologia WuXi AppTec e a Baicells, especializada em equipamentos de telecomunicações.
Para quem tem pressa:
- O governo dos Estados Unidos ampliou uma lista de empresas chinesas que considera ligadas ao setor militar do país, incluindo gigantes de tecnologia, comércio eletrônico e veículos elétricos;
- A atualização pode trazer impactos comerciais relevantes para as companhias citadas, especialmente em suas relações com órgãos do governo americano;
- A medida foi anunciada em um momento de persistentes tensões entre Washington e Pequim, e as empresas envolvidas já começaram a contestar a decisão.
Consequências práticas desta decisão

Com a entrada em vigor de uma nova legislação, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos ficará impedido, a partir do fim de junho de 2026, de realizar contratações diretas com as empresas incluídas na lista. Já em 2027, a restrição será ampliada, proibindo também a compra de produtos e serviços dessas companhias por meio de intermediários.
Apesar de a relação não representar uma sanção oficial, a presença nela pode gerar impactos significativos para as empresas citadas. Além dos possíveis prejuízos comerciais, a inclusão tende a servir como um alerta para fornecedores e parceiros do governo norte-americano, podendo afetar a reputação e as oportunidades de negócios dessas organizações.
Reações das empresas citadas na lista

De acordo com declarações divulgadas pela Reuters, as empresas mencionadas se manifestaram contra a decisão adotada pelo governo dos Estados Unidos. A BYD afirmou que sua inclusão na lista não possui embasamento concreto, enquanto o Alibaba sustentou que não existem motivos que justifiquem sua classificação como uma empresa ligada ao setor militar chinês, informando ainda que pretende recorrer judicialmente da medida.
A WuXi AppTec também criticou a decisão, classificando-a como incorreta, e declarou que adotará ações para buscar a reversão da designação. Já a Baidu negou de forma enfática qualquer vínculo que justifique sua presença na relação, descrevendo as acusações como sem fundamento e afirmando que utilizará todos os meios disponíveis para contestar sua inclusão.
E qual a posição da China quanto a estas alegações?
Em declaração à Reuters, a Embaixada da China nos Estados Unidos criticou o que chamou de “listas discriminatórias” utilizadas contra empresas chinesas, afirmando que essas companhias atuam em conformidade com as leis e normas vigentes. O governo chinês também pediu que os Estados Unidos interrompam esse tipo de medida e garantam condições mais equilibradas para a atuação de empresas chinesas no mercado.
Contexto diplomático
O anúncio ocorre menos de um mês após uma reunião entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês Xi Jinping. Apesar do encontro ter sido marcado por declarações cordiais entre os dois lados, persistiram divergências em temas considerados sensíveis, especialmente a questão de Taiwan, território que a China considera parte integrante de seu país.
Fonte: Olhar Digital
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