Conheça Helios, robô de 4 braços desenvolvido para reparar naves espaciais

Empresa aposta em estrutura voltada à microgravidade para reduzir a dependência de astronautas em tarefas de manutenção e operação em órbita

A Orbit Robotics revelou o Helios, um robô desenvolvido para atuar em ambientes de microgravidade e auxiliar operações no espaço. Diferentemente de máquinas criadas para a Terra, o equipamento foi projetado especificamente para funcionar em locais sem gravidade, dispensando sistemas tradicionais de locomoção terrestre.

Apresentado recentemente pelo New Atlas, o projeto adota uma configuração diferenciada com quatro braços robóticos. Dois deles são utilizados para ancorar o equipamento às superfícies internas de espaçonaves ou estações espaciais, enquanto os outros dois ficam encarregados de executar tarefas práticas, como movimentação de ferramentas, equipamentos e outros objetos.

De acordo com a empresa, o uso de uma estrutura baseada em cabos, combinada com motores centralizados e juntas de movimento controlado, foi pensado para minimizar as instabilidades comuns do ambiente espacial. Dessa forma, o robô consegue realizar suas atividades mantendo-se estável e firmemente conectado à estrutura ao seu redor.

Para quem tem pressa:

  • O Helios é um robô de quatro braços criado para operar em gravidade zero e apoiar tarefas dentro de naves e estações espaciais, reduzindo a necessidade de ação humana direta;
  • Dois braços servem para fixação no ambiente e dois realizam operações, com estrutura leve baseada em cabos e articulações que evitam movimentos bruscos;
  • O projeto busca diminuir o tempo gasto por astronautas em manutenção e pode se expandir para serviços em satélites e futuras estruturas em órbita.

Desenvolvimento da tecnologia e funcionamento do Helios

O Helios foi criado para lidar com os desafios da microgravidade, ambiente em que qualquer pequeno movimento pode fazer objetos e equipamentos se deslocarem de maneira imprevisível. Para solucionar esse problema, a Orbit Robotics projetou o robô para desempenhar duas tarefas ao mesmo tempo: manter sua fixação ao ambiente e executar atividades operacionais.

O sistema utiliza uma arquitetura baseada em tendões artificiais, na qual os motores ficam concentrados na área dos ombros e a movimentação é transmitida por meio de cabos. Essa configuração diminui o peso distribuído ao longo dos braços e permite maior liberdade e alcance dos movimentos.

Outro destaque do projeto é o cotovelo equipado com um mecanismo de contato por rolagem. A tecnologia foi desenvolvida para proporcionar movimentos mais fluidos e controlados, reduzindo solavancos que poderiam afetar tanto a estabilidade do robô quanto a segurança dos itens que ele estiver manipulando.

Antes da criação do Helios, os engenheiros da Orbit Robotics utilizaram a plataforma experimental IKARUS para testar diferentes tecnologias, incluindo controle remoto, aprendizado por imitação e operações de manipulação com dois braços robóticos. Os resultados obtidos nesses experimentos serviram de base para o desenvolvimento da versão atual do sistema.

A empresa destaca que a proposta do Helios não é substituir astronautas, mas assumir atividades repetitivas e de rotina. De acordo com informações apresentadas pela companhia, aproximadamente 35% do tempo de trabalho em estações espaciais é consumido por tarefas de manutenção, cujo custo pode chegar a cerca de US$ 140 mil por hora de astronauta.

Além das operações dentro de estações espaciais, o robô também poderá ser utilizado futuramente em serviços de manutenção de satélites e na montagem de estruturas em órbita. A expansão dos programas espaciais e a redução dos custos de lançamento tendem a aumentar a necessidade desse tipo de tecnologia.

Os pesquisadores e engenheiros envolvidos no projeto também ressaltam que longos períodos no espaço podem provocar diversos impactos no organismo humano, incluindo exposição à radiação, redução da densidade óssea e alterações na visão. Esses fatores ajudam a explicar o crescente interesse por soluções robóticas e sistemas automatizados para executar parte dessas atividades.

Fonte: Olhar Digital, Youtube

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