OMS monitora mais de 900 casos suspeitos de ebola na República Democrática do Congo
O novo surto de ebola começou em 15 de maio na República Democrática do Congo e fez a OMS declarar emergência de saúde pública

A Organização Mundial da Saúde (OMS) está acompanhando mais de 900 ocorrências suspeitas e 101 infecções confirmadas por ebola na região da África Central. O mais recente surto teve início em 15 de maio de 2026 na República Democrática do Congo (RDC), levando a entidade a classificá-lo como uma emergência de saúde pública de interesse internacional.
A atual epidemia é causada pela variante Bundibugyo do vírus, para a qual ainda não há vacinas ou terapias oficialmente aprovadas. Em razão da rápida disseminação da doença, a OMS elevou o nível de risco no território congolês para a categoria mais alta, considerada “muito alta”. A situação é agravada pelo contexto de instabilidade e conflitos que afetam o país.
Nova cepa do vírus da ebola avança sem barreira de imunizantes e gera alerta global
“À medida que ampliamos as ações de monitoramento e controle do ebola na RDC, mais de 900 ocorrências suspeitas já foram registradas, incluindo 101 confirmações da doença”, declarou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em uma publicação na rede social X. A propagação do surto também alcançou Kampala, capital de Uganda, onde dois casos sem conexão aparente com os registros iniciais foram identificados apenas 48 horas após a detecção dos primeiros infectados no Congo.
Os números relacionados à mortalidade da epidemia apresentam diferenças entre os relatórios divulgados. No sábado (23), o Ministério da Saúde da República Democrática do Congo informou 204 mortes distribuídas em três províncias, com base em 867 casos suspeitos. Já um boletim publicado pelo Centers for Disease Control and Prevention na sexta-feira (22) apontava 176 óbitos suspeitos. Ao longo das últimas cinco décadas, o vírus ebola foi responsável por mais de 15 mil mortes em diferentes países do continente africano.

O ebola é uma enfermidade viral de alta letalidade transmitida pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas, como sangue, secreções, fezes e vômito, além do contato com animais contaminados que morreram em decorrência da doença. Diferentemente de doenças respiratórias, como a Covid-19 e o sarampo, o vírus não se espalha pelo ar. O período de incubação pode variar entre dois e 21 dias, normalmente ficando entre cinco e dez dias, fase em que a pessoa ainda não transmite a infecção.
Os primeiros sinais da doença costumam incluir febre alta repentina, dores musculares intensas e sintomas gastrointestinais. Nos casos mais severos, o quadro pode evoluir para complicações hemorrágicas semelhantes às observadas na dengue grave, incluindo redução das plaquetas, queda da pressão arterial, choque circulatório e sangramentos em mucosas e no sistema digestivo. Em situações críticas, essas complicações podem levar ao comprometimento de múltiplos órgãos e colocar a vida do paciente em risco.
Fonte: Olhar Digital
Previous Post
Next Post