Shenzhou-23: China envia astronauta para passar um ano no espaço
Lançamento da espaçonave Shenzhou-23 marca etapa crucial na corrida espacial chinesa para levar humanos à superfície lunar até 2030.

A China alcançou mais um marco importante em seu programa de exploração espacial. Neste domingo (24), o país realizou com êxito o lançamento da missão Shenzhou-23 rumo à estação orbital Tiangong, conhecida como “Palácio Celestial”. A operação inaugura uma nova fase para o setor espacial chinês: pela primeira vez, um astronauta da nação ficará no espaço durante um período de um ano completo, reunindo informações essenciais para futuras expedições tripuladas à Lua, planejadas para ocorrer antes do término desta década.
O foguete Longa Marcha 2F partiu do Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan às 23h08 no horário local (12h08 em Brasília). A missão transporta três integrantes da tripulação, que serão responsáveis por executar diversos estudos científicos envolvendo áreas como dinâmica de fluidos, saúde em ambiente espacial e pesquisa de materiais.

Uma tripulação histórica e os desafios do corpo humano no espaço
Além de estabelecer um novo recorde de tempo em órbita, a missão também marca um feito histórico: a presença de Li Jiaying, de 43 anos, ex-policial de Hong Kong e a primeira astronauta da região administrativa especial a viajar ao espaço. A equipe é formada ainda por Zhu Yangzhu, comandante da missão e engenheiro aeroespacial de 39 anos, e por Zhang Zhiyuan, também com 39 anos, antigo piloto da força aérea da China, que realiza sua primeira experiência em uma missão orbital.

Segundo um representante da Agência Espacial Tripulada da China (CMSA), a decisão sobre qual membro da tripulação permanecerá no espaço por 12 meses será definida durante o andamento da missão, conforme os avanços técnicos obtidos em órbita. Até agora, os astronautas chineses realizavam missões na estação Tiangong com duração aproximada de seis meses.
O principal propósito dessa permanência ampliada é estudar os efeitos da microgravidade sobre o corpo humano. Longos períodos no ambiente espacial podem provocar redução da massa muscular, diminuição da densidade dos ossos e alterações nos padrões de sono. Além disso, os pesquisadores acompanharão atentamente o desgaste psicológico e a exposição contínua à radiação cósmica, reunindo dados importantes para futuras viagens tripuladas de longa duração à Lua e, mais adiante, a Marte.
Rivalidade geopolítica
O crescimento do programa espacial chinês é resultado de décadas de investimentos maciços realizados pelo governo. Após ser oficialmente impedida de participar da Estação Espacial Internacional (ISS) em 2011, devido a restrições estabelecidas pelos Estados Unidos, a China optou por desenvolver sua própria infraestrutura espacial, alcançando independência nessa área.
Os frutos dessa estratégia ficaram claros nos anos seguintes. Em 2019, os chineses realizaram o primeiro pouso já registrado no lado oculto da Lua. Dois anos depois, em 2021, o país conseguiu colocar um veículo explorador na superfície de Marte.
Para este ano, estão previstos testes orbitais da Mengzhou, ou “Nave dos Sonhos”, uma espaçonave de nova geração criada para substituir a Shenzhou em futuras missões lunares. Os planos de Pequim vão além da exploração da Lua: a meta é iniciar a construção da Estação Internacional de Pesquisa Lunar (ILRS) até 2035, fortalecendo sua presença e influência na exploração espacial global.
Fonte: Olhar Digital
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