Brasil é destaque no uso avançado de IA no trabalho, segundo Microsoft

Brasil foi destaque no relatório da Microsoft sobre impacto da IA no mercado de trabalho

O Brasil está entre os países que mais se destacam na adoção prática de inteligência artificial dentro do ambiente corporativo, de acordo com o Work Trend Index 2026, divulgado recentemente pela Microsoft. O levantamento mostra que o país possui uma proporção maior de profissionais classificados como “usuários de fronteira” de IA do que mercados como Estados Unidos, Japão e Índia, indicando um nível mais avançado de incorporação da tecnologia no trabalho diário.

De acordo com o relatório, cerca de 27% dos trabalhadores brasileiros que já utilizam inteligência artificial estão em níveis considerados avançados pela Microsoft. Esse grupo reúne profissionais capazes de automatizar fluxos de trabalho com agentes de IA, desenvolver sistemas com múltiplos agentes, reorganizar rotinas operacionais e identificar tarefas repetitivas passíveis de automação.

Esses usuários também desempenham um papel importante na criação de padrões internos para o uso da tecnologia dentro das equipes. Em escala global, os chamados “Frontier Professionals” correspondem, em média, a 16% dos usuários de IA.

O estudo foi baseado em trilhões de sinais de produtividade anonimizados do Microsoft 365, além de entrevistas com 20 mil profissionais em dez países.

Outro ponto que destaca o Brasil é a velocidade da mudança no trabalho diário. Segundo o levantamento, 72% dos trabalhadores brasileiros afirmam realizar hoje tarefas que não executavam há um ano por causa da inteligência artificial, enquanto a média global é de 58%.

Adoção de IA: profissionais x empresas
O levantamento aponta que parte dessa aceleração pode estar ligada à pressão percebida pelos trabalhadores diante da expansão da inteligência artificial. No Brasil, cerca de 80% dos profissionais dizem ter receio de ficar para trás caso não aprendam rapidamente a utilizar essas ferramentas no ambiente de trabalho. No cenário global, esse índice é de aproximadamente 65%.

Mesmo com o aumento no uso da tecnologia, o estudo indica que as empresas ainda não acompanham o mesmo ritmo de transformação. A Microsoft afirma haver um descompasso crescente entre o que os profissionais já conseguem realizar com IA e a capacidade das organizações de sustentar essa mudança em termos estruturais e operacionais.

Segundo o relatório, fatores ligados à organização — como cultura corporativa, apoio da liderança e gestão de talentos — exercem um impacto mais de duas vezes superior ao de fatores individuais no sucesso da adoção de inteligência artificial. A influência institucional responde por cerca de 67% do resultado total, enquanto aspectos relacionados ao comportamento e à mentalidade dos trabalhadores representam aproximadamente 32%.

Para a Microsoft, o principal desafio deixou de ser a falta de competência técnica dos profissionais e passou a ser a capacidade das empresas de reorganizar seus processos para integrar a inteligência artificial de forma estruturada.

O estudo também aponta uma mudança no uso da IA dentro das organizações. Em vez de substituir o pensamento crítico humano, a tecnologia estaria assumindo tarefas operacionais, permitindo que profissionais concentrem esforços em atividades mais estratégicas.

Uma análise de mais de 100 mil interações no Microsoft 365 Copilot mostrou que 49% das conversas com IA estão ligadas ao trabalho cognitivo, incluindo análise de dados, resolução de problemas, avaliação de cenários e processos criativos. Nesse contexto, habilidades humanas mais valorizadas passam a ser aquelas relacionadas à supervisão e orientação do próprio uso da inteligência artificial.

Segundo os entrevistados, as habilidades mais valorizadas em um cenário cada vez mais automatizado incluem a verificação da qualidade das respostas produzidas pela inteligência artificial, mencionada por 50% dos participantes, e o pensamento crítico, citado por 46%.

Principal impacto da IA no mercado de trabalho é em fatores organizacionais, como cultura corporativo, gestão e gerenciamento de talentos – Imagem: Relatório Anual do Índice de Tendências de Trabalho de 2026 da Microsoft

IA torna ambiente de trabalho mais inseguro
O relatório também aponta um atrito crescente dentro das organizações: mesmo com a pressão para acelerar a adoção da inteligência artificial, muitos profissionais ainda demonstram cautela ao mudar de forma profunda seus processos de trabalho.

Em escala global, 45% dos entrevistados afirmam que ainda consideram mais seguro manter o foco nas metas atuais do que reorganizar completamente suas rotinas em função da IA.

Além disso, o reconhecimento dentro das empresas por iniciativas de reinvenção ainda é relativamente baixo. No Brasil, apenas 16% dos profissionais afirmam ser recompensados por utilizar inteligência artificial para transformar sua forma de trabalho e aumentar resultados. Na média global, esse percentual é ainda menor, em torno de 13%.

Outro destaque do estudo da Microsoft é o crescimento acelerado do uso de agentes de IA dentro do ecossistema Microsoft 365. Segundo o relatório, essas ferramentas tiveram um aumento de 15 vezes em um ano, chegando a crescer até 18 vezes em grandes empresas.

De acordo com a companhia, as organizações mais avançadas não estão apenas adotando inteligência artificial, mas reformulando profundamente a maneira como o trabalho é estruturado e executado.

O relatório conclui que as empresas mais competitivas serão aquelas capazes de incorporar o aprendizado contínuo como parte central de sua operação, utilizando a IA não apenas como ferramenta de produtividade, mas como base para novos modelos organizacionais.

Fonte: Olhar Digital

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