SpaceX: detritos de foguete devem colidir com a Lua
Trata-se do foguete Falcon 9, que, em janeiro de 2025, levou módulos lunares ao espaço

No começo de agosto, a Lua será atingida por um estágio do foguete Falcon 9, da SpaceX. Os detritos da nave espacial vêm de um lançamento feito no ano anterior.
SpaceX: detritos do Falcon 9 em rota de colisão com a Lua
- Em 15 de janeiro de 2025, foi lançada a missão Blue Ghost1 da Firefly, de nome Ghost Riders in the Sky;
- Ela foi responsável pelo primeiro pouso lunar comercial totalmente bem-sucedido em 2 de março, no Mare Crisium. O módulo de pouso se tornou a operação comercial mais longa na Lua até hoje;
- O foguete também carregava consigo o módulo lunar japonês HAKUTO-R M2, de nove Resilience. Ele acabou se perdendo cerca de 90 segundos após o pouso e colidiu com o solo lunar;
- O problema é que o estágio superior do Falcon 9, denominado 2025-010D, responsável por lançar os módulos da missão, está prestes a colidir com a Lua;
- “Estamos rastreando-o desde o lançamento. A órbita mudou um pouco no último ano, e agora está se dirigindo para um impacto lunar”, disse, ao Space.com, Bill Gray, do Projeto Plutão.
Gray desenvolveu o Guide, um aplicativo de astronomia e controle de telescópios usado globalmente por astrônomos profissionais e entusiastas para acompanhar asteroides, cometas e outros corpos que passam perto da Terra.
O Projeto Plutão reúne ferramentas importantes que ajudam astrônomos a identificar satélites em seus dados e divulgou informações sobre o estágio superior do Falcon 9 que deve colidir com a Lua.
“Agora temos outro estágio superior que deve atingir a Lua, desta vez em 5 de agosto e (por pouco) no lado visível da Lua”, afirmou Gray.

Um foguete Falcon 9 da SpaceX lança a missão Firefly Blue Ghost 1, chamada Ghost Riders in the Sky, em 15 de janeiro de 2025, a partir do Centro Espacial Kennedy da NASA – Imagem: SpaceX
Gray disse acreditar que o impacto pode ser observado. O evento deve acontecer perto da borda da Lua, visível a partir da Terra, na região iluminada pelo Sol. Nessa fase, o satélite natural estará com pouco mais de metade de sua superfície iluminada.
Ele também lembra que a missão Lunar Crater Observation and Sensing Satellite (LCROSS) realizou algo parecido alguns anos atrás.
A LCROSS e o estágio Centauro atingiram a Lua em 9 de outubro de 2009, em um evento já previsto. No entanto, a colisão ocorreu no lado não iluminado do satélite, mesmo com a expectativa de que fosse visível contra o fundo lunar.
“Mesmo assim, nada foi visto”, disse Gray. “Estará acima do horizonte para mim, no Maine [EUA], e pretendo sair com meu pequeno telescópio para dar uma olhada. Mas não consigo imaginar por que seria muito mais brilhante que a LCROSS. E esse objeto estará sob forte luz solar”, acrescentou.
Ele continuou: “Há uma boa distância entre ele e as sondas chinesas mais próximas. Se eu estivesse operando uma nave em órbita lunar, verificaria se ela passaria perto dessa região da Lua naquele momento. Se fosse o caso, eu consideraria ajustar um pouco a trajetória para evitar essa área.”
O especialista também destacou que a possibilidade de fragmentos do impacto atingirem uma espaçonave em órbita lunar é muito baixa, mas ainda assim seria um fator a ser considerado em qualquer planejamento de manobra.
“Daqui a alguns anos, as coisas podem ser diferentes”, salientou Gray, considerando a presença de humanos caminhando pela superfície lunar.

Foto da SpaceX de um dos segundos estágios do foguete Falcon 9, tirada em 2022 – Imagem: SpaceX
“Isso eleva bastante os riscos. Se eu estivesse enviando um estágio superior para uma órbita elevada, pensaria cuidadosamente sobre sua trajetória. Você pode lançar esse estágio hoje e, anos mais tarde, acabar enfrentando um problema significativo”, concluiu.
Fonte: Olhar Digital
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