3º dia: Elon Musk afirma que recusou “suborno” de ações da OpenAI e que foi feito de tolo
No terceiro dia de julgamento (e segundo de depoimento), o bilionário detalhou como se sentiu enganado por Sam Altman e justificou que a crise na Tesla o afastou da organização em 2018

No terceiro dia do julgamento envolvendo Elon Musk e a OpenAI, o bilionário retornou ao banco das testemunhas no tribunal em Oakland, na Califórnia. Pela primeira vez desde o início da ação, Sam Altman, CEO da OpenAI, compareceu à audiência, sentado ao lado do presidente Greg Brockman, acompanhando o depoimento de quem hoje é seu adversário.
Respondendo às perguntas feitas por seu próprio advogado, Steven Molo, Musk iniciou o dia dizendo que a OpenAI estaria tentando “ter o bolo e comê-lo ao mesmo tempo” — expressão usada para indicar que a empresa busca manter as vantagens de uma entidade sem fins lucrativos enquanto atua com foco em lucro.
O “suborno” de ações e as doações de US$ 38 milhões
Um dos trechos mais tensos do depoimento aconteceu quando Musk relatou as propostas de participação societária que teria recebido da OpenAI depois do investimento bilionário da Microsoft. De acordo com o bilionário, em falas acompanhadas pelo The New York Times, a oferta soava como uma tentativa de calá-lo.
- A recusa: Musk afirmou ter recusado as ações. “Sinceramente, pareceu um suborno”, declarou;
- Sentimento de “tolo”: o empresário lamentou ter investido cerca de US$ 38 milhões do próprio bolso para ajudar a criar o que hoje é uma empresa avaliada em US$ 800 bilhões. “Fui um tolo que forneceu financiamento gratuito para criarem uma startup”, desabafou;
- O fator Microsoft: Musk classificou o investimento de US$ 10 bilhões da Microsoft como um “golpe”, questionando por que uma gigante investiria tanto se não esperasse retornos massivos, o que feriria a missão original da ONG.

Por que Musk deixou a OpenAI em 2018?
A defesa da OpenAI costuma questionar o motivo pelo qual Musk deixou a empresa se realmente estava preocupado com sua missão. Em resposta, ele afirmou que, entre 2017 e 2018, sua principal companhia, a Tesla, enfrentava risco de falência durante o período que ele chamou de “inferno de produção” do Model 3.
“Eu não tinha tempo nem para participar das reuniões do conselho”, disse Musk. Ele explicou que precisou concentrar toda a sua atenção na Tesla e na SpaceX, chegando a dormir na própria fábrica para garantir a sobrevivência das empresas.
xAI vs. OpenAI: O argumento da concorrência
Questionado sobre a xAI, sua própria empresa de inteligência artificial criada em 2023, Musk reconheceu que ela atua como concorrente, embora ainda seja “bem menor” do que a OpenAI.
A OpenAI afirma que Musk estaria recorrendo ao processo para prejudicar o avanço de uma concorrente, mas o bilionário rebateu dizendo que o ponto não é uma empresa já nascer com fins lucrativos, como ocorre com a xAI desde o início, e sim “fundar uma entidade sem fins lucrativos e posteriormente convertê-la em uma organização voltada ao lucro”.
Controle para “evitar o pior”
Musk reforçou que sua intenção inicial de exercer controle sobre a OpenAI não estava ligada a interesses financeiros, mas sim a assegurar que o desenvolvimento da inteligência artificial seguisse uma direção adequada. “Se existisse uma decisão que eu julgasse muito ruim, eu poderia evitar que ela acontecesse”, afirmou.
A sessão foi suspensa para uma pausa, mas o depoimento de Musk deve prosseguir ao longo do dia. O The New York Times destaca a contradição de Musk ao defender o modelo “sem fins lucrativos” da OpenAI, enquanto em sua rede social X ele critica publicamente organizações não governamentais, afirmando que muitas seriam “fraudes”.
Fonte: Olhar Digital
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