Parkinson: tratamento usa células-tronco no cérebro para repor dopamina

Estudo experimental quer reprogramar células para repor as substâncias degeneradas do cérebro

Cientistas têm progredido em uma nova abordagem para o tratamento do Parkinson, baseada na substituição de células do cérebro responsáveis pela produção de dopamina, substância fundamental para a coordenação dos movimentos. Essa técnica integra pesquisas em medicina regenerativa e ainda se encontra em fase experimental.

A técnica envolve produzir, em laboratório, neurônios com capacidade de gerar dopamina e implantá-los diretamente no cérebro dos pacientes. Essas células são obtidas a partir de amostras de sangue de doadores, que são submetidas a um processo de reprogramação até se tornarem células-tronco pluripotentes induzidas (iPS). Esse tipo de célula pode se diferenciar em diversos tecidos do corpo.

No caso do Parkinson, os pesquisadores orientam essa diferenciação para formar neurônios dopaminérgicos, justamente aqueles que são gradualmente perdidos com a progressão da doença.

Depois do preparo, milhões dessas células são transplantadas no cérebro por meio de uma cirurgia. O procedimento consiste na inserção de uma cânula em uma região profunda chamada putâmen, estrutura ligada ao controle dos movimentos e diretamente afetada pela degeneração neuronal característica do Parkinson. A expectativa é que esses novos neurônios passem a produzir dopamina de maneira contínua, ajudando a compensar a deficiência causada pela doença.

Tratamento para o Parkinson ainda é experimental
Resultados iniciais de um estudo conduzido no Japão indicam o potencial da abordagem:

  • Resultados iniciais de um estudo conduzido no Japão indicam o potencial da abordagem;
  • Sete pacientes, com idades entre 50 e 70 anos, foram acompanhados por dois anos após o transplante;
  • Exames mostraram aumento médio de 44% nos níveis de dopamina no cérebro;
  • Além disso, houve melhora nos sintomas motores, como tremores e rigidez, com ganhos médios de cerca de 20% – chegando a 50% em um dos participantes.

Olhar Digital já havia dado os detalhes da pesquisa neste link

Apesar dos progressos, os pesquisadores destacam que essa abordagem ainda não pode ser considerada uma cura. Isso ocorre porque o Parkinson envolve mudanças mais extensas no cérebro, indo além da simples redução dos neurônios responsáveis pela dopamina. No momento, a estratégia tem como objetivo principal reduzir parte dos sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Fonte: Olhar Digital

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