Encontrada a possível “filha” de uma das estrelas mais antigas do Universo

Nova estrela se tornou a mais antiga de que temos conhecimento e é quase inteiramente feita em hélio e hidrogênio


As estrelas são grandes esferas de gás extremamente quente, formadas principalmente por elementos como hidrogênio, hélio, carbono, oxigênio e diversos outros. Porém, esse astro recém-identificado chamou a atenção por ser composto quase inteiramente por hidrogênio e hélio, algo raro em estrelas. O cientista Alexander P. Ji sugere que essa característica pode estar ligada à sua origem, já que o objeto celeste pode ser descendente de uma das primeiras estrelas formadas no Universo.

Co-autor do estudo “Uma estrela quase intocada da Grande Nuvem de Magalhães”, publicado na revista Nature Astronomy, Kevin C. Schlaufman explica que nunca havia sido observada uma estrela desse tipo “porque elas eram muito massivas, tinham vida curta e desapareciam jovens”, segundo declaração ao EurekAlert. A pesquisa completa pode ser acessada clicando aqui.

Para categorizar objetos celestes como esse, Schlaufman explica que as estrelas mais antigas, consideradas as primeiras “gerações” do Universo, são chamadas de População III. Já as estrelas mais recentes recebem a classificação de População I.

Para quem tem pressa:

  • Cientistas encontraram a ‘filha’ de uma das estrelas mais antigas do Universo;
  • O corpo celeste é quase inteiramente feito em hélio e hidrogênio, algo incomum em estrelas novas e que sustenta a possibilidade desta ser, na verdade, muito antiga;
  • Apesar de não ser uma estrela de População III, é a mais antiga de que a astronomia tem ciência.

Quais os resultados obtidos pela pesquisa?

A Grande Nuvem de Magalhães, local onde a nova estrela foi encontrada, é uma galáxia anã irregular que orbita a Via Láctea, situada a aproximadamente 160.000 a 200.000 anos-luz de distância (Reprodução: NASA) – (Reprodução: NASA)

Kevin Schlaufman afirma que, embora ainda não tenham sido detectadas estrelas da População III, caso elas ainda existam, provavelmente são extremamente raras.

Mesmo assim, a equipe dele identificou um objeto quase tão antigo quanto essas primeiras estrelas. A estrela, chamada SDSS J0715-7334, pode ter surgido a partir de “uma nuvem praticamente intacta de gás que foi contaminada por elementos pesados produzidos na explosão de supernova de uma estrela da População III”, segundo o site Space.

Esse corpo celeste foi inicialmente encontrado por Schlaufman em 2014, durante a análise de dados do levantamento astronômico Sloan Digital Sky Survey. Mais tarde, em 2025, ele foi novamente identificado de forma independente pelo principal autor do estudo, Alexander P. Ji, da Universidade de Chicago.

Segundo o site Space, nos primeiros três minutos após o Big Bang, o Universo era composto basicamente por três elementos: hidrogênio, hélio e pequenas quantidades de lítio. Foi apenas com esses materiais iniciais que se deu origem às primeiras estrelas.

Na prática, isso indica que todos os outros elementos que existem hoje foram criados posteriormente dentro dessas estrelas primordiais e espalhados pelo espaço por meio das explosões de supernovas de estrelas extremamente massivas da População III.

A estrela mais antiga de que temos ciência

A órbita da estrela antiga comparada à da Grande Nuvem de Magalhães, mostrando que elas estão conectadas. (Crédito da imagem: Vedant Chandra e a colaboração SDSS) – (Crédito da imagem: Vedant Chandra e a colaboração SDSS)

Para que a SDSS J0715-7334 se formasse, o estudo sugere que uma estrela ancestral da População III teria explodido em uma supernova. Essa explosão teria produzido elementos mais pesados, como ferro e carbono, e os dispersado pelo espaço, enriquecendo a nuvem de gás que mais tarde deu origem à nova estrela.

Esses elementos recém-formados teriam atingido uma nuvem quase primordial, composta principalmente por hidrogênio e hélio, “contaminando” sua composição. A partir do colapso dessa nuvem, teria surgido a SDSS J0715-7334. Segundo o Space, esse processo teria acontecido nos primeiros centenas de milhões de anos após o Big Bang.

Ji e Schlaufman, junto de uma equipe de pesquisadores, analisaram a estrela SDSS J0715-7334 utilizando o espectrógrafo de alta resolução Magellan Inamori Kyocera Echelle, acoplado ao telescópio Magellan Clay, de 6,5 metros. O objetivo foi medir a presença de elementos pesados como carbono, oxigênio, alumínio e ferro. As observações foram realizadas no Observatório Las Campanas, no Chile.

Para comparação, o nosso Sol é formado por aproximadamente 74,9% de hidrogênio, 23,8% de hélio e 1,3% de elementos mais pesados, resultado de sucessivas gerações estelares que, ao longo do tempo cósmico, enriqueceram o Universo com esses materiais.

Em contraste, a equipe de Ji e Schlaufman identificou que a estrela SDSS J0715-7334 é composta quase totalmente por hidrogênio e hélio, apresentando apenas cerca de 0,005% da quantidade de elementos pesados encontrada no Sol.

Nenhuma outra estrela conhecida possui níveis tão baixos desses elementos. O recorde anterior pertencia à SDSS J1029+1729, localizada na Via Láctea, que contém aproximadamente o dobro da abundância de elementos pesados observada em SDSS J0715-7334.

“A estrela SDSS J0715-7334 tem tão pouco carbono que isso sugere que uma leve dispersão inicial de poeira cósmica pode ter sido responsável por sua formação”, afirmou Alexander P. Ji ao SDSS.

Schlaufman complementa que, embora essa estrela não seja totalmente primordial, ela representa o objeto mais próximo já encontrado de uma estrela da População III nessa métrica específica.

Fonte: Olhar Digital

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