Voyager 1: NASA desliga instrumento crucial para prolongar a vida da sonda

A sonda Voyager 1, da NASA, está com pouca energia. Engenheiros desligam um instrumento crucial para prolongar sua missão histórica no espaço

A NASA optou por desativar o instrumento Low-Energy Charged Particles (LECP) da Voyager 1 como forma de economizar energia e prolongar a operação da sonda. A decisão foi tomada depois de uma redução considerável nos níveis energéticos detectada durante uma manobra rotineira realizada em fevereiro.

A Voyager 1, que em agosto completará 49 anos de missão no espaço, encontra-se a mais de 25 bilhões de quilômetros da Terra. Em novembro, ela deve se tornar o primeiro objeto construído pelo ser humano a atingir uma distância equivalente a um dia-luz do nosso planeta.

Energia já está acabando
A espaçonave é movida por um gerador termoelétrico de radioisótopos que usa o decaimento do plutônio como fonte de energia. Esse plutônio gera calor, que é parcialmente transformado em eletricidade. Com o passar do tempo, a quantidade de material disponível diminui, o que reduz tanto a produção de calor quanto de energia elétrica.

Durante uma manobra de rotina realizada em fevereiro, os engenheiros notaram uma queda significativa nos níveis de energia. Uma redução adicional poderia acionar o sistema de proteção contra baixa voltagem da nave, que desliga automaticamente vários equipamentos para preservar a integridade da sonda.

Apesar de esse sistema de proteção ter a função de preservar a espaçonave, após quase 49 anos em funcionamento e com a Voyager 1 já extremamente distante da Terra, a ativação desse mecanismo passou a representar um risco elevado. Por isso, a equipe optou por agir de forma preventiva e desligar o LECP.

O LECP funcionou praticamente sem interrupções desde 1977 e foi responsável por coletar dados essenciais quando a Voyager 1 entrou no espaço interestelar, ultrapassando a heliosfera, a área influenciada pelo vento e pelas partículas solares.

Voyager 1 ainda funciona
A Voyager 1 ainda mantém dois instrumentos científicos em funcionamento: um responsável por detectar ondas de plasma e outro que mede campos magnéticos. Ambos seguem operando normalmente, transmitindo dados de uma região do espaço que nunca havia sido explorada por uma sonda construída pelo ser humano.

A decisão de desativar o LECP não foi aleatória, ele fazia parte de uma lista de prioridade de desligamentos, sendo o próximo componente a ser cortado caso fosse necessário economizar energia. A Voyager 2 teve seu próprio LECP desligado em março de 2025, o que deixou apenas três instrumentos ativos na Voyager 1.

A equipe também criou um plano conhecido como “Big Bang”, que consiste em desligar vários sistemas ao mesmo tempo e adotar alternativas de menor consumo energético para prolongar a vida útil das sondas.

Esse procedimento será testado primeiro na Voyager 2, que está relativamente mais próxima da Terra e ainda dispõe de mais energia. Os testes iniciais podem acontecer nas próximas semanas. Se tudo funcionar como esperado, a mesma estratégia será aplicada na Voyager 1, embora não antes de julho.

Ao contrário de outras desativações definitivas, há a chance de que o LECP da Voyager 1 possa ser ligado novamente no futuro, caso haja melhora nas condições de energia disponíveis.

Fonte: Olhar Digital

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