EUA negam ajuda à justiça francesa em investigação sobre X e Elon Musk

Departamento de Justiça dos EUA alega que a investigação francesa tenta regular uma empresa americana e fere a liberdade de expressão

O Departamento de Justiça dos EUA comunicou oficialmente às autoridades francesas que não dará suporte às investigações em andamento envolvendo Elon Musk e sua rede social, X. A medida segue uma ação de busca e apreensão realizada nos escritórios da empresa em Paris no começo deste ano, aumentando as tensões diplomáticas e legais entre Washington e Paris.

Segundo o The Wall Street Journal, o Departamento de Justiça dos EUA enviou na última sexta-feira uma carta de duas páginas acusando a França de empregar seu sistema judicial de forma inadequada para interferir em uma empresa americana. No texto, as autoridades norte-americanas afirmam que a investigação pretende “regular um espaço público para a livre manifestação de ideias e opiniões de maneira contrária à Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos”.

Liberdade de expressão e soberania
O governo dos EUA classificou o pedido de cooperação da França como uma tentativa de “envolver os Estados Unidos em um processo criminal com conotação política”, com o objetivo de penalizar as operações comerciais de uma plataforma tecnológica por meio do sistema judicial.

Executivos da xAI, empresa de inteligência artificial de Musk agora vinculada à SpaceX, apoiaram a posição americana. Em comunicado, um dirigente da companhia agradeceu ao Departamento de Justiça por descartar o que chamou de “teatro policial” e manifestou expectativa de que as autoridades de Paris encerrem a investigação, considerada por eles “infundada”.

O cerco jurídico em Paris
A investigação conduzida na França, que ganhou intensidade em janeiro de 2025, é abrangente e complexa. Promotores em Paris estão examinando se o algoritmo de recomendação de conteúdo do X foi manipulado para favorecer as opiniões pessoais de Elon Musk, o que poderia caracterizar interferência estrangeira. O inquérito também abrange acusações graves, incluindo a divulgação de pornografia infantil, deepfakes não consensuais e a negação do Holocausto, crime previsto na legislação francesa.

Elon Musk, a ex-CEO do X, Linda Yaccarino, e outros executivos foram convocados para prestar depoimentos voluntários. Na França, os promotores têm autoridade para emitir mandados de prisão contra suspeitos que desrespeitem as intimações.

Fonte: Olhar Digital

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