Xiaomi tem 1ª queda trimestral de lucro em três anos
Xiaomi registra queda de 24% no lucro do 4º trimestre de 2025, mas supera estimativas e bate meta de entrega de veículos elétricos

A Xiaomi divulgou nesta terça-feira (24) seus resultados financeiros, indicando uma mudança de cenário: o lucro ajustado do quarto trimestre de 2025 recuou 24% em relação ao mesmo período do ano anterior, marcando a primeira queda trimestral desde 2022. A companhia, que atua na fabricação de smartphones, eletrodomésticos e veículos elétricos, vem enfrentando o aumento dos custos de memória e a intensificação da concorrência no mercado chinês.
Apesar da queda, os resultados ficaram acima das expectativas dos analistas. O lucro líquido ajustado atingiu 6,3 bilhões de yuans (aproximadamente R$ 4,8 bilhões), superando a média projetada de 5,7 bilhões de yuans, segundo dados da LSEG. A receita do trimestre também ultrapassou levemente as projeções, alcançando 116,9 bilhões de yuans (R$ 89,1 bilhões) contra a estimativa de 116,2 bilhões de yuans (R$ 88,6 bilhões).
Pressão dos custos de memória preocupa liderança
Durante a teleconferência após a divulgação dos resultados, o presidente da Xiaomi, Lu Weibing, destacou que a alta nos custos de memória foi mais intensa do que o esperado. Ele também sinalizou que a empresa pode ter de reajustar os preços de seus produtos caso não consiga manter essa pressão sob controle. Segundo Lu Weibing, algumas companhias podem enfrentar grandes desafios em cenários de custos elevados por um período prolongado, chegando a ter prejuízos significativos ou até a encerrar operações.

O impacto não se restringe à Xiaomi. Outras fabricantes de smartphones com sistema Android têm reajustado os preços de alguns modelos para compensar o aumento nos custos dos chips de memória, impulsionado pela demanda crescente de data centers de inteligência artificial. Na China, o mercado de smartphones apresentou uma queda de 4% entre janeiro e o início de março de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior, com os subsídios do governo tendo pouco impacto na demanda.
Resultados anuais mostram crescimento robusto
No consolidado de 2025, a Xiaomi apresentou resultados robustos: o lucro cresceu 43,8%, somando 39,2 bilhões de yuans (cerca de R$ 29,9 bilhões), apoiado por um aumento de 25% na receita. Esse avanço foi impulsionado, em parte, pela divisão de carros elétricos, iniciativas de inteligência artificial e outras frentes, que geraram 106,1 bilhões de yuans (R$ 80,9 bilhões) em receita e registraram o primeiro lucro operacional anual do segmento, de 900 milhões de yuans (R$ 685,9 milhões).
O CEO da Xiaomi, Lei Jun, anunciou que a companhia pretende investir no mínimo 60 bilhões de yuans (cerca de R$ 45,7 bilhões) em inteligência artificial ao longo dos próximos três anos.
Xiaomi supera meta de entrega de elétricos
No segmento automotivo, a Xiaomi apresentou o sedã elétrico SU7 há cerca de dois anos, entrando em um mercado altamente competitivo na China. A empresa ultrapassou a meta de 350.000 entregas de veículos elétricos em 2025, com mais de 258.000 unidades do modelo SU7 vendidas. Apenas no quarto trimestre, foram entregues 145.115 veículos elétricos, um aumento de 33,4% em comparação ao terceiro trimestre.

Na semana passada, a Xiaomi apresentou uma versão atualizada do SU7, buscando sustentar o ritmo de vendas do modelo e reforçar sua presença no mercado.
No mercado de smartphones, os embarques globais chegaram a 165,2 milhões de unidades em 2025, ficando abaixo da meta inicialmente prevista de 180 milhões de unidades.
Fonte: Olhar Digital
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