O que pode causar a explosão de uma turbina de avião? Especialista responde

Especialista explica causas possíveis para explosão em motor de avião após incidente com Airbus A330 da Delta em Guarulhos

A explosão de um dos motores de um avião logo após a decolagem no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, na noite de domingo (29), obrigou a realização de um pouso de emergência e causou a interrupção temporária das operações no local. A aeronave da Delta Air Lines, que tinha como destino Atlanta (EUA), retornou poucos minutos depois de sair da pista.

O voo levava 272 passageiros e 14 membros da tripulação, e não houve feridos. Durante o incidente, fragmentos atingiram uma área próxima à pista e causaram um incêndio, que foi controlado pelas equipes de emergência do aeroporto. A aeronave, um Airbus A330-300, permaneceu na pista após o pouso, realizado cerca de nove minutos após a decolagem.

Possíveis causas ainda dependem de investigação
As causas do incidente ainda não foram confirmadas e deverão ser investigadas por órgãos como o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA). Até agora, a Delta informou apenas que houve uma falha mecânica no motor esquerdo.

Segundo o engenheiro especialista em risco e segurança Gerardo Portela, não é possível determinar uma causa específica antes da conclusão da apuração. “O que provoca um acidente como esse? Ainda precisamos aguardar a investigação para entender o que ocorreu”, declarou em contato com o Olhar Digital.

Segundo ele, existe um conjunto de fatores já conhecidos que podem levar a esse tipo de falha, com destaque para a ingestão de objetos pela turbina durante a decolagem.

“Esse tipo de incidente ocorre, em grande parte, pela entrada de objetos estranhos no motor, como pássaros, aves, ou até mesmo um drone, um objeto hostil ou um balão”, explicou Portela. O especialista também cita a possibilidade de detritos na pista serem sugados pelo motor, o que pode provocar danos progressivos logo nos primeiros minutos de voo.

Falhas mecânicas também estão entre as hipóteses
Outra hipótese em investigação envolve falhas internas no motor, mesmo com manutenção rigorosa e inspeções frequentes. “Pode ter sido um problema no próprio motor. Pode ter ocorrido algum tipo de falha, como o desprendimento de uma palheta, algo nesse sentido”, afirmou Portela.

Ele explica que as turbinas são formadas por várias palhetas que giram em alta velocidade, e a quebra de uma dessas peças pode causar impactos significativos.

Além disso, existem fenômenos técnicos específicos, como o chamado compressor stall, que também podem provocar explosões. “O combustível passa, mas não há ar suficiente para a combustão adequada. Com isso, sobra combustível, que entra em contato com partes quentes do próprio motor […] e acaba gerando uma explosão”, explicou.

Projeto da aeronave e sistemas de segurança
Apesar da gravidade do incidente, a aeronave conseguiu retornar com segurança ao aeroporto. Segundo o especialista, isso está diretamente relacionado ao conceito de redundância adotado na aviação comercial.

Ele explica que aviões como o Airbus A330 são projetados para operar com duas turbinas independentes, e cada uma delas possui capacidade suficiente para manter o voo com segurança mesmo em caso de falha da outra. Esse princípio de redundância é fundamental para a confiabilidade do sistema.

Além disso, o especialista destaca que o piloto não precisa de visão direta do motor para identificar falhas. O diagnóstico é realizado por meio de sensores térmicos e sistemas eletrônicos que monitoram a temperatura, a presença de gases e possíveis sinais de incêndio, enviando alertas em tempo real para a cabine.

Em caso de fogo, existem sistemas específicos de combate a incêndio em cada turbina, com agentes extintores armazenados sob pressão. O procedimento padrão inclui o acionamento controlado desses sistemas, com a liberação inicial do agente e a avaliação do resultado antes de uma segunda descarga, se necessário. Também há mecanismos automáticos que podem liberar o gás em situações mais críticas.

Resposta da tripulação e protocolo de emergência
Diante de uma falha grave, os pilotos seguem uma sequência de procedimentos treinados para esse tipo de situação. O processo inclui manter a aeronave estável, identificar a origem do problema, reduzir a potência, interromper o fornecimento de combustível e isolar os sistemas relacionados ao motor afetado.

“Primeiro, voar, manter a aeronave em voo […] depois, navegar […] e então comunicar a emergência”, explicou Portela ao detalhar a lógica operacional seguida nesses casos. Em Guarulhos, o piloto declarou emergência (“mayday”), mobilizando equipes de combate a incêndio e apoio em terra para o pouso.

Após a aterrissagem, a tripulação de cabine ainda realiza procedimentos internos. Os comissários verificam as condições de cada saída da aeronave e repassam essas informações ao comandante, que determina a melhor estratégia para uma eventual evacuação.

Destroços e incêndio próximo à pista
O especialista explica que as turbinas contam com estruturas de proteção desenvolvidas para conter a maior parte desses fragmentos e impedir que atinjam a fuselagem. Mesmo assim, nem todos os detritos conseguem ser retidos, o que ajuda a entender a queda de peças fora do motor e o incêndio observado no solo. “Existem várias palhetas em uma turbina […] e uma delas pode se desprender. Quando isso acontece, ela é lançada como se fosse um projétil”, afirmou.

Depois do pouso, as equipes de emergência trabalharam para controlar o incêndio e desobstruir a pista, que permaneceu fechada por aproximadamente três horas. As atividades foram retomadas na madrugada de segunda-feira (30).

O que diz a Delta Air Lines?
“O voo 104 da Delta, que partia de São Paulo com destino a Atlanta, retornou ao aeroporto logo após a decolagem na noite de domingo devido a um problema mecânico no motor esquerdo da aeronave. O Airbus A330-300 pousou em segurança e foi atendido pela equipe de combate a incêndio do aeroporto (ARFF), e os passageiros foram transportados de ônibus até o terminal. A segurança de nossos clientes e da tripulação é a nossa principal prioridade. Pedimos desculpas pelo transtorno causado aos nossos clientes em suas viagens.”

“Informações complementares:”

  • Voo 104 da Delta, de São Paulo (GRU) para Atlanta (ATL), em 29 de março;
  • Aeronave Airbus A330-300, com 272 passageiros e 14 tripulantes;
  • Equipes da Delta estão trabalhando para reacomodar os passageiros e levá-los com segurança ao seu destino.

Fonte: Olhar Digital

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