Astronauta da missão Artemis 2 descobriu cratera rara na Terra
O astronauta canadense Jeremy Hansen, comandante da missão Artemis 2, participou da descoberta de uma cratera rara aqui na Terra

Um dos integrantes da missão Artemis 2, lançada com sucesso pela NASA na última quarta-feira (1) para uma jornada de 10 dias ao redor da Lua, possui uma descoberta impressionante em seu currículo. O canadense Jeremy Hansen, que será o primeiro astronauta não nascido nos EUA a chegar à órbita lunar, esteve entre os responsáveis pela identificação de uma das crateras de impacto mais raras do planeta.
Isso ocorreu há 15 anos, antes de Hansen integrar o corpo de astronautas da Agência Espacial Canadense (CSA). Com mestrado em física, ele participou de uma expedição ao lado de outros cientistas da Universidade do Ontário Ocidental, explorando o Lago Gow, uma região remota em Saskatchewan que até então só havia sido observada por imagens de satélite.

Jeremy Hansen, astronauta canadense da missão Artemis 2 – Crédito: NASA
Um artigo publicado em maio de 2023 na revista Meteoritics & Planetary Science relata a descoberta feita em 2011 pela equipe liderada pelo renomado geólogo Gordon Osinski, professor pesquisador da instituição.
Agora no espaço, é provável que Hansen consiga observar de cima a região que visitou pessoalmente durante a pesquisa — um local que lembra algumas das crateras lunares que ele terá a oportunidade de ver de perto ao se aproximar da Lua a bordo da cápsula Orion.
NASA valoriza pesquisas científicas dos astronautas
Segundo Osinski, o artigo sobre a cratera em Saskatchewan — localizada na província canadense e também conhecida como Lago Gow — demorou a ser publicado devido a prioridades em pesquisas mais urgentes e à pandemia de Covid-19.
A espera, porém, compensou, já que a instrumentação de laboratório melhorou nos anos seguintes, permitindo um acompanhamento mais detalhado da pesquisa.
Embora Hansen não seja listado como autor do estudo, ele é mencionado com destaque nos agradecimentos “por sua companhia em campo”.
Essa não foi a única expedição geológica do agora comandante da missão Artemis 2. Mesmo após se tornar astronauta, Hansen continuou participando de pesquisas desse tipo — uma experiência altamente valorizada por agências espaciais, como a NASA, que o selecionou para integrar o Programa Artemis.
“A razão pela qual participo dessas expedições de geologia é que, como astronauta, estamos nos preparando para explorar outros corpos planetários e, claro, a geologia será uma parte fundamental da ciência que realizaremos lá”, afirmou Hansen em 2015 ao site MyKawartha.com.

Detalhes sobre a cratera descoberta pelo astronauta da missão Artemis 2
Este é o primeiro estudo detalhado sobre o Lago Gow, uma cratera formada há cerca de 200 milhões de anos. Os geólogos coletaram algumas “rochas estranhas” que não condiziam com o terreno local e confirmaram em laboratório que elas foram moldadas pelo impacto de derretimento de pedras.
Osinski, geólogo que estuda diversas crateras no Canadá há décadas, participou da expedição ao lado de Hansen e dois estudantes “para o desconhecido”, segundo ele. “Embarcamos em um hidroavião e também usamos uma canoa, o que tornou a expedição de geologia divertida. Desembarcamos na ilha [no centro do lago], montamos acampamento e depois saímos para explorar”, contou o pesquisador ao site Space.com
“Montamos o mapa geológico da ilha e encontramos muitos tipos de rochas realmente interessantes, que eu não esperava, considerando a idade desse local”, afirmou Osinski.
Um exemplo são as rochas derretidas por impacto, como as juntas colunares, que formam rachaduras hexagonais à medida que a lava basáltica esfria. Esse tipo de formação é encontrado em lugares famosos, como o Giant’s Causeway, na Irlanda, e é considerado “extremamente raro” em outras partes do planeta.

Imagem captada pelo satélite Landsat-8, da NASA, do local de impacto do Lago Gow. A linha branca tracejada é a borda aparente da cratera Saskatchewan – Crédito: Serviço Geológico dos EUA
Segundo Osinski, o Lago Gow pode servir como uma excelente analogia para as crateras próximas ao polo sul da Lua, região onde a NASA planeja pousar a Artemis 4 em 2028 e estabelecer uma base permanente nos anos seguintes.
O aspecto mais curioso da descoberta foi identificar o tipo da cratera, já que imagens de satélite haviam enganado os geólogos por cerca de 50 anos. Inicialmente, acreditava-se que o Lago Gow se formara como uma cratera complexa — tipo também encontrado na Lua — em que o pico central colapsa devido a impactos maiores.
“Mas acontece que a ilha é composta por essas rochas derretidas e brechas de impacto, e não realmente por material emergido das profundidades”, explicou Osinski.
O que a equipe encontrou, portanto, foi uma cratera de transição, até então documentada em apenas um outro ponto na Terra: o Goat Paddock, no noroeste da Austrália. “Pode ter havido mais crateras desse tipo na Terra, mas elas foram mascaradas ou destruídas pela erosão”, acrescentou o geólogo.
Na Lua, porém, as crateras de transição são comuns e, segundo Osinski, oferecem informações valiosas sobre como as rochas espaciais influenciam o ambiente local após a queda de meteoritos.
Fonte: Olhar Digital
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