China pode barrar a fusão entre a Tesla e a SpaceX
Entenda os impasses financeiros e regulatórios da união entre Tesla e SpaceX para acelerar inteligência artificial e chips

A possível fusão entre a Tesla e a SpaceX, duas companhias pertencentes a Elon Musk, enfrenta obstáculos relacionados à avaliação financeira do negócio, ao comando da empresa resultante e às exigências regulatórias dos Estados Unidos e da China. Apesar de a união poder facilitar investimentos em inteligência artificial, a concretização do acordo ainda depende de negociações e da aprovação dos acionistas.
Investidores de Wall Street consideram a combinação uma possibilidade real, mas as conversas envolvem interesses divergentes. Um dos principais desafios é a presença industrial da Tesla na China, enquanto a SpaceX possui contratos relacionados à defesa dos Estados Unidos.

Quanto custaria a fusão?
Com valor de mercado estimado em aproximadamente US$ 1,5 trilhão (R$ 7,54 trilhões), a Tesla talvez precise oferecer um adicional para convencer seus acionistas a substituir suas participações por ações da SpaceX.
Especialistas do RBC Capital Markets e do JPMorgan calculam que esse prêmio poderia variar de 20% a 35%. Já outros investidores não acreditam que será necessário um acréscimo tão elevado, principalmente porque alguns deles já investem nas duas companhias.
A fusão possibilitaria o compartilhamento de serviços e poderia aumentar a capacidade de financiar projetos de alto custo. As empresas trabalham em conjunto no desenvolvimento da fábrica de semicondutores Terafab, enquanto a inteligência artificial já responde por mais da metade da receita da SpaceX. Como a expansão desses negócios exige grandes aportes financeiros, a possibilidade de contratar empréstimos em conjunto é considerada um dos benefícios potenciais da união.
Entretanto, nem todas as iniciativas que influenciam o valor atribuído às companhias alcançaram uma operação comercial em larga escala. Centros de dados espaciais, robotáxis e robôs humanoides ainda precisam avançar no desenvolvimento e receber novos investimentos.
Musk pode ampliar seu poder de controle
Atualmente, Musk controla aproximadamente 85% dos votos da SpaceX por meio de ações com direitos especiais, enquanto sua participação no poder de voto da Tesla é de cerca de 20%. Uma projeção mencionada pela Reuters indica que ele poderia reunir aproximadamente 57% dos votos da companhia resultante da fusão.
A aprovação dos acionistas da Tesla representa mais um desafio. Musk declarou que o acordo precisaria receber o apoio da maioria de todas as ações, e não somente da maioria dos votos efetivamente registrados. Dessa forma, ações cujos votos não fossem contabilizados poderiam dificultar a obtenção da aprovação necessária.
Também existem questionamentos sobre a governança de uma negociação na qual Musk teria interesses envolvidos em ambos os lados. Durante a aquisição da SolarCity pela Tesla, em 2016, um tribunal de Delaware apontou que deveria ter sido criado um comitê independente para avaliar a operação.

A China pode dificultar o acordo
A Tesla depende da China para a fabricação de seus veículos, enquanto a SpaceX trabalha no desenvolvimento de sistemas militares e de inteligência destinados ao governo dos Estados Unidos. Uma eventual fusão poderia gerar preocupações de segurança nacional em ambos os países, especialmente quanto ao acesso a informações e tecnologias confidenciais.
O governo chinês exige que os dados obtidos pelos sistemas de direção automatizada da Tesla sejam armazenados dentro do próprio país. Uma possível solução seria preservar a independência das operações chinesas, estabelecendo barreiras para evitar que essas informações fossem compartilhadas com a SpaceX.
As autoridades chinesas também poderiam utilizar as negociações para tentar obter garantias relacionadas a investimentos, volume de produção ou acesso a tecnologias estratégicas. Entretanto, essas condições poderiam entrar em conflito com as limitações impostas pelos Estados Unidos a atividades ligadas à defesa.
Entre as alternativas discutidas por analistas estão:
- Manter a operação chinesa como unidade independente, com pesquisa e desenvolvimento próprios.
- Criar barreiras internas para restringir o acesso a dados e tecnologias.
- Separar os negócios na China por meio de uma cisão ou venda.
- Reduzir a produção local caso as exigências regulatórias impeçam a integração.
Até o momento, nenhuma dessas alternativas foi estabelecida. De acordo com Yale Zhang, diretor-gerente da consultoria AutoForesight, a fábrica de Xangai é responsável por mais da metade da produção mundial da Tesla. As atividades na China também contribuem para gerar recursos financeiros que ajudam a custear os próximos projetos da montadora.
O principal desafio de Musk será equilibrar os interesses dos acionistas com as restrições impostas pelos governos dos Estados Unidos e da China. Mesmo que Tesla e SpaceX compartilhem objetivos tecnológicos, isso não assegura a aprovação da fusão nem garante que os termos do acordo atendam às expectativas de todos os envolvidos.
Fonte: Olhar Digital
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