SpaceSail: rival chinesa da Starlink avança no mercado brasileiro
A SpaceSail prepara sua entrada no Brasil com antena de uso fixo e móvel, mas ainda não informou preços nem cobertura do serviço

A SpaceSail deu mais um passo para disponibilizar internet via satélite no Brasil. A Anatel aprovou um terminal residencial da companhia chinesa, que busca competir com a Starlink. O dispositivo oferece velocidades de até 400 Mb/s, porém, ainda não há informações sobre os valores dos planos nem sobre a data de lançamento.
Na China, a empresa opera sob o nome Qianfan e pretende começar a atender o mercado brasileiro no último trimestre de 2026. Antes disso, será necessário estruturar a importação dos aparelhos e a instalação de estações terrestres.

Como funciona a tecnologia da SpaceSail
A SpaceSail utiliza satélites de órbita baixa, chamados LEO, para disponibilizar acesso à internet. O terminal instalado pelo consumidor se conecta à rede de satélites, possibilitando o uso do serviço em regiões com pouca infraestrutura terrestre.
O aparelho aprovado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) possui o código STG-S001-A0. O certificado de número 01944-26-18192 classifica o dispositivo como um transceptor móvel via satélite, com previsão de uso em ambientes fixos e móveis. No entanto, essa classificação não significa que todas essas opções estarão disponíveis ao público.
A antena possui formato retangular, dimensões de 48 cm x 36 cm x 4 cm e peso de 4 kg. O equipamento conta com certificação IP65, que oferece proteção contra poeira e água, além de entrada para alimentação elétrica, porta RJ45 para conexão cabeada e uma luz indicadora de funcionamento.
O dispositivo acompanha um cabo de 15 metros, permitindo sua instalação em locais externos ou no telhado. Também oferece suporte ao Wi-Fi 5, utilizado tanto na configuração pelo aplicativo da companhia quanto para acessar a internet.
De acordo com o manual técnico, o dispositivo pode atingir velocidades de até 400 Mb/s em downloads e 100 Mb/s em uploads. No entanto, esses números correspondem aos limites de capacidade informados para o equipamento e não garantem que os planos oferecidos futuramente alcançarão essas velocidades.
Outras características incluem:
- Alimentação elétrica: 48 volts e 4,5 amperes, equivalentes a 216 watts.
- Acessórios: opções de suportes de fixação e bateria externa.
- Conexões: porta Ethernet e Wi-Fi 5 para acesso à rede.
- Uso: o certificado contempla cenários fixos e móveis.
A fabricação ficará a cargo da Shanghai Hanxun Information Technology, sediada em Nanquim, na China.
O que falta para o lançamento
A SpaceSail obteve autorização para atuar no Brasil em fevereiro de 2026. No mês seguinte, o Ato nº 3.084 integrou sua rede às normas de coordenação entre sistemas de satélites não geoestacionários, responsáveis por estabelecer regras de convivência entre diferentes redes e evitar interferências.
A aprovação do terminal representa mais um avanço, mas não significa que o serviço já esteja disponível para compra. A companhia ainda precisa estruturar suas operações e informar as áreas atendidas, os termos de contratação e os valores cobrados.
Em novembro de 2024, a Telebras e o Ministério das Comunicações firmaram um memorando de entendimento com a SpaceSail para analisar demandas de conectividade e estudar possíveis iniciativas em conjunto. O documento prevê colaboração e ações de inclusão digital, mas não confirma o lançamento de um serviço residencial de internet.

Como a SpaceSail pode competir com a Starlink
A chegada da companhia chinesa pode aumentar as alternativas de internet via satélite no Brasil, principalmente para quem mora em regiões com pouca cobertura de redes terrestres. O mercado também conta com a Amazon Leo, que já teve um roteador homologado no país, mas enfrenta atrasos no lançamento comercial. A distribuição do serviço ficará sob responsabilidade da Sky.
Os preços devem ter papel decisivo nessa concorrência. Atualmente, os planos da Starlink variam de R$ 49 a R$ 619 mensais. A SpaceSail, por sua vez, ainda não informou quanto custarão seus equipamentos e assinaturas. Por isso, não há como garantir que seus serviços terão preços inferiores aos da concorrente.
A capacidade da SpaceSail de disputar clientes dependerá dos valores cobrados, da extensão da cobertura e das modalidades de planos disponibilizadas no Brasil. Essas informações serão fundamentais para avaliar se a empresa conseguirá competir com os preços e as soluções oferecidas pela Starlink, tanto para residências quanto para uso em movimento.
Fonte: Olhar Digital
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