Falhas técnicas na nave da Boeing atrasam cronograma da NASA

NASA mantém incerteza sobre certificação da Starliner enquanto relatório recomenda revisão de processos e maior supervisão técnica

A volta dos voos tripulados da cápsula Starliner continua sem uma data definida após uma auditoria realizada pela NASA identificar problemas técnicos ainda pendentes. De acordo com o relatório divulgado na última terça-feira (30), a agência informou que ainda não há previsão para a conclusão do processo, já que a espaçonave apresenta falhas que impedem sua certificação para transportar astronautas.

O documento avalia o desempenho do Programa de Tripulação Comercial e aponta que diversos problemas observados em missões anteriores da Starliner permanecem sem resolução. Entre eles estão vazamentos de hélio, dificuldades no sistema de propulsão e anomalias nos paraquedas, considerados componentes fundamentais para garantir a segurança das missões.

Além de sugerir mudanças na condução do programa, a auditoria recomenda um acompanhamento mais rigoroso dos próximos testes realizados pela Boeing e a adoção de medidas para fortalecer a supervisão da NASA durante todo o processo de certificação.

A Starliner é a cápsula espacial desenvolvida pela Boeing para transportar astronautas no âmbito do Programa de Tripulação Comercial da NASA, criado com o objetivo de levar e trazer tripulações da Estação Espacial Internacional por meio de empresas privadas.

Relatório amplia pressão sobre programa da Starliner

A auditoria realizada pelo Escritório do Inspetor-Geral da NASA teve como foco os contratos assinados com a Boeing e a SpaceX para o transporte de astronautas até a Estação Espacial Internacional.

Segundo o relatório, a agência precisará contratar novas missões com as duas empresas para manter equipes completas na estação até 2030, enquanto acompanha a correção das pendências técnicas que ainda afetam a Starliner.

O documento destaca que três problemas acompanham o programa da Boeing há vários anos e continuam impedindo a certificação da cápsula para voos tripulados. Entre eles estão vazamentos de hélio, falhas no sistema de propulsão e irregularidades nos paraquedas.

Conforme a auditoria, os dois primeiros problemas permaneciam sem solução até março de 2026, impossibilitando a definição de um cronograma para a certificação definitiva da espaçonave.

A missão Crew Flight Test, lançada em junho de 2024, também recebe destaque no relatório. Durante o voo de testes, diferentes falhas levaram a NASA a modificar o plano de retorno da tripulação, que acabou voltando à Terra a bordo de uma cápsula Crew Dragon, da SpaceX, em vez da Starliner.

Como resultado, a Boeing decidiu que o próximo voo da cápsula será realizado sem astronautas, embora a empresa ainda não tenha divulgado uma data para essa missão.

O relatório também relembra que a NASA classificou posteriormente a missão como um acidente do Tipo A, categoria destinada aos eventos mais graves envolvendo voos espaciais tripulados.

Na avaliação da auditoria, chama atenção o intervalo de 21 meses entre a missão e essa classificação. Os auditores atribuem essa demora à falta de critérios suficientemente claros por parte da própria agência para enquadrar esse tipo de ocorrência.

Os responsáveis pela análise concluem que o desempenho abaixo do esperado da missão foi consequência de uma combinação de fatores. O documento aponta excesso de confiança no projeto da cápsula, cronogramas considerados otimistas demais pela Boeing — e aceitos pela NASA —, além da pressão para cumprir esses prazos.

O relatório também informa que a agência não utilizou de forma integral seus direitos de acesso a informações que poderiam ter possibilitado a análise de falhas identificadas em simulações de voo antes do lançamento da cápsula.

Ao abordar os próximos passos do programa, a auditoria alerta que a redução no quadro de funcionários da NASA poderá dificultar tanto a fiscalização das atividades quanto a resolução das pendências técnicas e o progresso da certificação da Starliner. Na avaliação dos auditores, a diminuição da equipe pode comprometer o acompanhamento das futuras etapas do Programa de Tripulação Comercial.

Embora a maior parte das observações seja direcionada à Boeing, o documento ressalta que a SpaceX também enfrentou dificuldades técnicas durante as fases iniciais do desenvolvimento da cápsula Dragon. Mesmo assim, a empresa assumiu parte das missões originalmente planejadas para a Starliner, o que resultou em um custo adicional de US$ 17 milhões para antecipar lançamentos destinados à Estação Espacial Internacional.

Entre as recomendações apresentadas, a auditoria propõe que a NASA execute as seguintes ações:

  • Adie novos pagamentos à Boeing até a conclusão da certificação da Starliner;
  • Estabeleça um cronograma atualizado para os próximos voos;
  • Registre e acompanhe todas as falhas identificadas durante a missão Crew Flight Test;
  • Amplie o acesso da agência aos testes privados de hardware e software realizados pelas empresas;
  • Esclareça os critérios para classificação de acidentes e priorize a contratação de profissionais especializados para as áreas ligadas ao programa comercial e ao encerramento das atividades da Estação Espacial Internacional.

Fonte: Olhar Digital

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *