NASA revela novos contratos e detalhes sobre a construção de uma base permanente na Lua
Em uma transmissão ao vivo pelo YouTube, a diretoria da NASA divulgou novos detalhes sobre o projeto de construção de uma base humana na Lua

Conforme informado pelo Olhar Digital, nesta terça-feira (30), a NASA divulgou uma atualização sobre os planos para a construção de uma base permanente na Lua. O comunicado foi realizado durante uma entrevista ao vivo, em que o administrador-chefe, Jared Isaacman, e Carlos García-Galán, responsável pelo programa de bases lunares, apresentaram os próximos estágios da iniciativa.
A transmissão teve início exatamente no horário programado, às 15h30 (horário de Brasília). Durante a apresentação, eles detalharam a próxima fase de seleção de missões e explicaram como pretendem viabilizar uma presença humana contínua na superfície lunar.

Durante a apresentação, foi confirmada a seleção de três empresas privadas que irão conduzir quatro novas missões de pouso na superfície lunar até o final de 2028: Astrobotic, Firefly Aerospace e Intuitive Machines. Essas companhias terão a função de levar instrumentos científicos até a Lua, ajudando a ampliar o entendimento sobre o ambiente lunar e a preparar futuras missões tripuladas.
Os acordos totalizam centenas de milhões de dólares. A Astrobotic receberá cerca de US$ 297,9 milhões para realizar duas missões, enquanto a Firefly Aerospace terá US$ 144,2 milhões e a Intuitive Machines US$ 148,3 milhões, cada uma responsável por uma entrega.

Essas missões integram a iniciativa Commercial Lunar Payload Services (CLPS), um programa da NASA que contrata empresas privadas para realizar o transporte de experimentos e tecnologias até a Lua. Esse modelo comercial busca ampliar a cadência das missões e acelerar a construção da infraestrutura necessária para a exploração do satélite natural.
De acordo com a agência, as naves espaciais vão utilizar versões aprimoradas de módulos de pouso que já foram testados com sucesso em missões anteriores. A ideia é aproveitar o conhecimento e a experiência já adquiridos para aumentar a segurança e a confiabilidade das futuras operações na superfície lunar.
NASA anuncia novas oportunidades de parcerias público-privadas
A NASA também divulgou novas oportunidades para que empresas norte-americanas participem do desenvolvimento da Base Lunar. A agência busca ampliar a cooperação com o setor privado para acelerar a construção da infraestrutura necessária para as próximas décadas de exploração espacial.
Entre as iniciativas está o envio do rover PROMISE, sigla em inglês para Rover Polar para Observação, Mapeamento e Exploração In Situ, um veículo experimental semelhante a um jipe, inspirado no Perseverance, que atualmente opera em Marte. A proposta é testar o desempenho desse tipo de equipamento na Lua antes do desenvolvimento de uma versão definitiva.
Se aprovado pelas equipes técnicas, o rover deverá analisar o solo e o subsolo lunar, produzir mapas detalhados das áreas exploradas e investigar possíveis recursos naturais de interesse, como gelo de água e outros materiais relevantes para futuras missões.
Nos próximos meses, a NASA também planeja abrir novas chamadas para empresas interessadas em desenvolver módulos de pouso capazes de testar sistemas de geração de energia, eletrônicos e instrumentos científicos voltados principalmente ao Polo Sul lunar.
Outra prioridade do projeto é a criação de uma rede de comunicação e navegação ao redor da Lua. Essa constelação de satélites funcionará como uma espécie de internet e GPS lunar, facilitando a troca de dados entre astronautas, robôs, veículos e os centros de controle na Terra.
Os contratos anunciados também incluem estudos para aprimorar os sistemas de pouso. As empresas envolvidas deverão avaliar tecnologias já usadas em outras missões, identificar melhorias e aplicar lições aprendidas para aumentar a segurança e reduzir riscos em futuras operações.
Cada missão levará três instrumentos científicos desenvolvidos pela própria NASA. Um deles é o SCALPSS (Câmeras Estéreo para Estudos da Interação entre a Pluma do Motor e a Superfície Lunar), um conjunto com quatro câmeras capaz de registrar em 3D o impacto dos motores das naves sobre a poeira lunar durante o pouso.
Essas imagens vão ajudar a entender como o solo reage à aproximação das espaçonaves, informação considerada essencial para planejar futuras aterrissagens, especialmente com veículos maiores operando próximos entre si sem levantar grandes nuvens de poeira que possam afetar estruturas e equipamentos.

Outro instrumento que será enviado é o LRA (sigla em inglês para Lunar Retroreflector Array, ou Matriz de Retrorefletores Lunares). Ele consiste em um pequeno conjunto de espelhos capazes de refletir feixes de laser emitidos por sondas e satélites em órbita da Lua, permitindo medir posições no solo com extrema precisão e aprimorar a navegação das missões.
Por ser um dispositivo simples, que não necessita de energia elétrica nem manutenção, o LRA pode permanecer operando por longos períodos. A proposta da NASA é estabelecer uma rede duradoura de pontos de referência fixos na superfície lunar, auxiliando a localização de espaçonaves e veículos exploratórios.
O terceiro equipamento é o LETS (Linear Energy Transfer Spectrometer, ou Espectrômetro de Transferência Linear de Energia). Esse instrumento será responsável por medir os níveis e tipos de radiação espacial presentes tanto no trajeto até a Lua quanto na superfície lunar.
As informações obtidas vão ajudar os cientistas a avaliar os riscos à saúde dos astronautas e o impacto da radiação sobre os sistemas eletrônicos. Com esses dados, será possível projetar melhores sistemas de proteção e trajes mais avançados para missões de longa duração e futuras viagens a Marte.
Além dos experimentos já planejados, a NASA também avalia utilizar a capacidade extra de carga dos módulos de pouso para levar equipamentos adicionais em futuras missões, ampliando o volume de pesquisas científicas por lançamento.
A Base Lunar faz parte de um plano de longo prazo voltado à criação de uma presença humana contínua na Lua, que servirá como plataforma para pesquisa científica, testes de novas tecnologias e atividades comerciais, além de apoiar futuras missões tripuladas a Marte.
A estratégia busca reduzir o intervalo entre o desenvolvimento dessas tecnologias em laboratório e sua aplicação em missões reais. Por isso, a NASA tem solicitado propostas que incluam demonstrações completas, estudos de viabilidade e soluções integradas capazes de reduzir riscos de engenharia e preencher lacunas na arquitetura da futura base.
Agência deve publicar novo edital de chamamento
As autoridades também informaram a abertura de uma nova chamada de propostas dentro do programa NextSTEP-3, convidando empresas a apresentarem ideias, tecnologias e testes práticos capazes de acelerar a criação de uma presença humana permanente na Lua. O edital, intitulado Anexo B: Demonstrações em Bases Lunares, deve ser publicado no início de julho no Sistema de Gerenciamento de Contratos (SAM), plataforma oficial do governo dos Estados Unidos usada para divulgar oportunidades de contratos, licitações e acordos federais.
A primeira etapa temática do edital será focada no desenvolvimento de sistemas de energia que possam abastecer de forma contínua a futura base lunar. Nas fases seguintes, a NASA pretende selecionar projetos em outras áreas consideradas essenciais, como construção de infraestrutura, sistemas de comunicação, localização e navegação, sincronização de tempo, transporte em solo, mobilidade, módulos habitacionais, robótica avançada, autonomia de sistemas, pesquisa lunar e modelos de operação diária.
A expectativa é que essas iniciativas acelerem a implementação gradual da Base Lunar e reforcem a cooperação entre a NASA e o setor industrial no desenvolvimento das tecnologias necessárias para a exploração humana do espaço.

Sobre a base lunar da NASA
A base lunar deverá ser erguida nas proximidades do polo sul da Lua, área considerada estratégica por abrigar possíveis reservas de gelo de água. Esse recurso pode ser fundamental para gerar água potável, produzir oxigênio para astronautas e obter hidrogênio, que pode ser usado como combustível para foguetes, diminuindo a dependência de materiais enviados da Terra.
Nos últimos meses, a NASA atualizou sua estratégia de exploração lunar. O planejamento anterior previa a criação da estação espacial Gateway, que funcionaria em órbita lunar como ponto de apoio para missões. Porém, no início deste ano, a agência informou que o projeto foi colocado em espera para dar prioridade ao desenvolvimento de uma base diretamente na superfície da Lua.
A implantação desse complexo vai depender de várias missões com módulos de pouso e robôs, responsáveis por levar equipamentos e preparar o terreno antes da chegada de astronautas. A expectativa é que a apresentação traga mais detalhes sobre essas operações e indique as empresas selecionadas para essa nova etapa do programa.
Pouso humano na Lua está previsto para 2028
Até o momento, a NASA já executou duas missões do programa Artemis. Em 2022, a Artemis 1 enviou a cápsula Orion em um voo sem tripulação até a órbita lunar e realizou o retorno com sucesso. Já neste ano, a Artemis 2 levou quatro astronautas em uma viagem ao redor da Lua, avançando nas etapas preparatórias para as próximas fases do programa.
O próximo marco principal é a missão Artemis 3, prevista para ser lançada em 2027, com o objetivo de testar manobras de acoplamento em órbita da Terra com sistemas de pouso desenvolvidos pela SpaceX e pela Blue Origin. Caso tudo ocorra como planejado, a Artemis 4 poderá, enfim, realizar o pouso de astronautas na superfície lunar, com expectativa para o final de 2028.
Fonte: Olhar Digital
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