China vai dobrar o tamanho de sua estação espacial enquanto a ISS se aproxima do fim
Expansão da Tiangong inclui novos módulos, mais capacidade de missões e telescópio em órbita compartilhada previsto para 2027

A China anunciou recentemente um plano para ampliar sua estação espacial Tiangong, que deve crescer de três para seis módulos nas próximas fases do programa em órbita. A iniciativa acontece no momento em que a Estação Espacial Internacional se aproxima do fim de sua operação, prevista para a próxima década.
O projeto prevê a inclusão de novos módulos voltados para atividades científicas e operacionais, com o intuito de aumentar a capacidade de pesquisa e permitir mais missões e espaçonaves atuando simultaneamente no espaço. Essa reorganização deve deixar a estação em uma configuração mais ampla e funcional.
Além dessa expansão, o país também planeja lançar um telescópio espacial de grande porte, que deverá operar em uma órbita próxima à da Tiangong, possibilitando manutenção e atualizações diretamente a partir da própria estação.
Expansão orbital e novas capacidades da Tiangong

A ampliação da estação Tiangong integra um projeto de expansão progressiva da infraestrutura espacial da China, que foi originalmente montada com três módulos em formato de “T” e começou a receber missões tripuladas de forma contínua após sua finalização entre 2021 e 2022.
De acordo com o pesquisador Qian Hang, da China Aerospace Science and Technology Corporation, esse crescimento já fazia parte dos planos desde as etapas iniciais do programa.
Segundo informações divulgadas pela agência Xinhua, a fase inicial dessa expansão prevê o lançamento de um módulo multifuncional com aproximadamente 20 toneladas, que deverá ser acoplado ao módulo central Tianhe. A nova estrutura deve criar pontos extras de encaixe e ampliar a flexibilidade de operação da estação.
Qian Hang também afirmou que o crescimento das atividades em órbita torna necessário aumentar a capacidade de acoplamento e reforçar a segurança operacional. Ele ressaltou a preocupação com possíveis congestionamentos durante as manobras de atracação e com limitações de espaço em situações de emergência a bordo da estação.

Paralelamente, a China vem desenvolvendo novas alternativas para transporte de cargas e astronautas, incluindo a nave Mengzhou, projetada para levar até sete tripulantes. Hoje, as missões tripuladas dependem da nave Shenzhou, que transporta apenas três astronautas por voo.
Outro ponto importante do programa é o telescópio espacial Xuntian, com lançamento previsto para 2027. Ele contará com um espelho primário de dois metros e um campo de visão muito mais amplo em comparação com instrumentos anteriores, além de uma câmera de alta resolução.
O Xuntian deverá operar em uma órbita próxima à estação Tiangong, o que permitirá acoplamento para manutenção, reparos e atualizações ao longo do tempo. O equipamento também será responsável por mapear grandes áreas do céu durante sua vida útil estimada em cerca de dez anos.
De acordo com Yang Hong, designer-chefe do sistema da estação espacial, a expansão deve praticamente dobrar a massa total da infraestrutura em órbita, passando de cerca de 90 toneladas para aproximadamente 180 toneladas, fortalecendo o papel da China nas atividades em órbita terrestre.
Enquanto isso, os Estados Unidos planejam encerrar as operações da Estação Espacial Internacional entre o final desta década e o início da próxima, com uma reentrada controlada no Oceano Pacífico prevista para 2030 ou 2031.
Fonte: Olhar Digital
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