Brasil entra na rota de testes para novas vacinas contra o câncer
Parcerias com a Universidade de Oxford buscam trazer ensaios clínicos ao país e ampliar o acesso a terapias de baixo custo

Pesquisadores da Universidade de Oxford estiveram no Brasil nos últimos dias para tratar de possíveis colaborações que podem viabilizar a realização de testes de vacinas inovadoras contra o câncer no país. Durante a visita, o grupo se reuniu com representantes do Ministério da Saúde e do A.C. Camargo Cancer Center, com o objetivo de estruturar estudos que envolvam o uso de inteligência artificial, novas abordagens em exames clínicos e tecnologias avançadas de diagnóstico.
Ao contrário das vacinas tradicionais que usamos para prevenir doenças como a gripe, essas novas tecnologias atuam “treinando” o sistema imunológico a identificar e combater células doentes no organismo. Em vez de evitar a infecção, elas ajudam o corpo a reagir diretamente contra o câncer.
Como as vacinas funcionam
Os cientistas trabalham em duas frentes principais:
- Vacinas terapêuticas: Feitas para quem já tem a doença, ajudando o corpo a combater o tumor com mais força.
- Vacinas preventivas: direcionadas a indivíduos com maior risco genético, com a finalidade de evitar o surgimento da doença.
Um dos projetos mais avançados tem como foco o vírus Epstein-Barr (EBV). Esse vírus está presente na maior parte da população mundial e está associado a cerca de 200 mil casos de câncer por ano. Como a região Norte do Brasil apresenta ocorrências específicas relacionadas a esse vírus, os pesquisadores pretendem conduzir parte dos estudos no país.
Tecnologia e prazos
O desenvolvimento desses imunizantes tem avançado rapidamente graças ao uso de tecnologias que ganharam destaque durante a pandemia de Covid-19. Além disso, a inteligência artificial contribui para identificar quais partes do tumor devem ser alvo das vacinas. Em Oxford, alguns projetos conseguiram sair do papel e alcançar a fase de testes em apenas três anos.
Além da vacina contra o EBV, também existem pesquisas voltadas para o câncer de pulmão (conhecida como LungVax), bem como para tumores de mama, ovário e do trato gastrointestinal.
Próximos passos
A proposta da parceria é aproveitar a infraestrutura de hospitais brasileiros para conduzir os testes e, ao mesmo tempo, garantir que, no futuro, esses tratamentos tenham um custo mais acessível para países em desenvolvimento. Os pesquisadores destacam que os estudos ainda estão em fase inicial e que o próximo desafio será compreender por que alguns pacientes apresentam boa resposta à vacina enquanto outros não, com o objetivo de aumentar a eficácia dessas terapias nos próximos anos.
Fonte: Olhar Digital
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